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30 de ago. de 2013

20º aniversário do Ano Internacional da Família

As resoluções das Nações Unidas são expressões formais da opinião ou da vontade dos seus órgãos. Normalmente estão compostas por duas partes claramente definidas: um preâmbulo, com as razões da medida tomada, e outra parte prática, com instruções.

O Conselho Econômico e Social da ONU promulgou uma resolução em 30 de agosto de 2012, acerca dos preparativos e a celebração do vigésimo aniversário do Ano Internacional da Família, de acordo com o informe do Secretário Geral das Nações Unidas de 11 de novembro de 2011. A ideia é pôr em evidência outra vez os objetivos daquele ano, em prol do desenvolvimento social.

Para fomentar o entorno propício à família, a igualdade entre homens e mulheres, o respeito aos direitos e às liberdades fundamentais de todos, e o bem-estar familiar, foram propostos três temas:

   a) Erradicação da pobreza das famílias, causada, entre outros fatores, pelo divórcio.

   b) Pleno emprego e trabalho decente para o equilíbrio entre trabalho e família.

   c) Integração social e solidariedade entre as gerações.

Os Estados Membros são convidados a envidar políticas públicas sobre a família dentro dessas linhas, com a colaboração da sociedade civil.

É sabido, contudo, que muitos países ocidentais tomam tais políticas como ocasião de implementar equívocos práticos de matriz ideológico contra a família. Daí a importância de adiantar-se e propor soluções apropriadas em prol da célula-base da sociedade.

Como exemplo, três sugestões de ações simples, adequadas aos tópicos propostos pela ONU:

   a) Estudar e difundir dados relativos ao custo social do divórcio e seus impactos nas mulheres, nas crianças e nos jovens.

   b) Participar das discussões políticas acerca da flexibilização da jornada de trabalho.

   c) Desenvolver atividades de voluntariado para jovens envolvendo a atenção de idosos.

18 de jun. de 2012

Cinco segredos da JMJ

Como necessário complemento aos sete passos para uma bem-sucedida JMJ no Rio de Janeiro, apresento os cinco pontos auge da JMJ de Madri, analisados por Bento XVI em seu balanço de fim de ano (que vale a pena ler na íntegra).

Nova experiência de catolicidade

A JMJ é a nova evangelização ao vivo. Permite apalpar a catolicidade, isto é, a universalidade da Igreja: gente de todos os continentes que, sendo tão diferente pela língua, cultura, nação, compartilha os mesmos sentimentos e ideais. É uma verdadeira aula de pluralismo.

Nova forma de ser homem

Em Madri houve cerca de 20.000 jovens voluntários, indicando a perene vitalidade da caridade, que se reveste formas novas conforme os tempos. Através do altruísmo, da solidariedade e do serviço, muitos redescobrem o amor de Deus e do próximo, que é o verdadeiro motivo da ação humana.

Revalorização da adoração

A presença real de Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento da Eucaristia é o ponto focal da JMJ. Dali se alimenta a Igreja e aí encontra forças cada fiel. É a atitude que se tem diante da Eucaristia que define se uma pessoa está ou não comprometida com Cristo.

Redescoberta da Penitência

Não seria autêntico um encontro com Cristo que descuidasse a penitência. Jesus Cristo é exigente e a proposta de vida cristã tem como meta nada menos que a santidade. Por isso, o esforço penitencial de purificação, que todo batizado envida ao longo de sua vida, necessita da graça de Deus para chegar à perfeição. A confissão sacramental dos pecados pessoais ao sacerdote é o único meio ordinário, instituído pelo próprio Cristo, para responder ao esforço humano com o perdão gratuito de Deus. Quem frequenta esse sacramento, recebendo a absolvição de sacerdotes experimentados, enche-se de alegria, de segurança, de confiança em sua luta por ser uma pessoa melhor.

Refortalecimento da alegria

Segundo São Tomás de Aquino, a alegria é “certo ato e efeito da caridade”, já que “a mesma caridade inclina a amar, a desejar o bem amado e a gozar nele” (S. Th., IIa-IIæ, q. 28, a. 5, c). Se pela caridade os cristãos são reconhecidos, em toda parte onde estiverem seu traço característico será, portanto, o sorriso da alegria.

19 de out. de 2011

Evangelho militante

Fides vera. | Spes firma. | Charitas perfecta.
(Medieval Latin, Kraus, Inschr. der Rheinlande II,
document 547, Back, O, 25)

Estender a mão

O voluntariado é hoje uma rede mundial que conta com milhões de colaboradores. A Internet nos deslumbra pela solidariedade com que tanta gente disponibiliza gratuitamente a informação. A filantropia é a marca registrada de uma série de grupos sociais empenhados na melhora das relações humanas, como o Rotary e o Lions Club, ou as comunidades espíritas de matriz kardecista.

O que há de comum entre essas iniciativas tão díspares? — O apreço pela alteridade. A gratuidade. A amizade como virtude chave para a construção da personalidade.

Mas essas atitudes procedem de uma raiz há muito esquecida pela consciência moderna, ou ao menos empequenecida a seus olhos. A origem extrema dessas condutas é a caridade cristã.

“Quem” é a Caridade

Etimologicamente, costuma-se referir o termo latino “caridade” (caritas, caritatis) à “carestia” e ao consequente encarecimento do custo de vida, de modo a indicar o valor elevado que uma pessoa teria para outra. Corresponde à forma grega κείρω, καρῆναι (“cortar curto, carecer”). A forma grega também pode ter o sentido mais raro de “cortar em fibras”. Κείρω , portanto, aponta para a carência, o anelo, a saudade.

Não obstante, a variante charitas parece remeter à outra forma grega, χάρις, a qual indica, segundo seu sentido mais objetivo, o semblante “gracioso” que desperta “favoritismo”.

No redemoinho da história das línguas, perdeu-se o rastro da palavra. Por isso, sinto-me no direito de ainda inventar uma terceira etimologia, mesmo que privada de fundamentação. É que caro, carnis significa em latim “carne”. Pois bem, gosto de interpretar a caridade como carnalidade, um “comungar da mesma carne”, um “fazer pacto de sangue”, um “irmanar-se”.

Se fosse real tal etimologia, seria possível dizer, com muita vivacidade, que o primeiro que viveu a caridade foi o Verbo feito carne. E o primeiro que levou a caridade ao extremo foi o mesmo Verbo cuja carne foi desfibrada na Paixão. Se “Deus é Caridade” (1Jo 4,8.16), no Verbo humanado a Caridade adquiriu um rosto: Jesus Cristo.

Mais do que ação

Voltar a dar o selo do cristianismo à identidade caritativa é urgente num momento histórico especialmente laicista e, por sorte, há muita gente trabalhando nessa seara. Em sentido contrário, porém, também existe uma necessidade premente de recuperar nos cristãos de hoje o ardor da caridade. Reconheço e aplaudo aqueles que sacrificam sua vida por amor — que são muitos, e que passam despercebidos —, mas a quantidade de braços cruzados (para não dizer algemados) ainda é tanta que surpreende.

Por desgraça, o laicismo encontra uma brecha onde menos se podia esperar. Depois de tantos anos após o Concílio Vaticano II, a visão que se tem da atuação dos leigos ainda é como a do século XIX. Só para dar um exemplo, sinto calafrios quando escuto a expressão “agente de pastoral”. Com efeito, ela oculta dois erros de fundo: a de que ser leigo é mero dado sociológico; e de que para atuar cristãmente é necessário ser um “engajado”. Nesse sentido, têm razão os laicistas quando impugnam a atuação dos “católicos oficiais”, acusando-a de ingerência eclesiástica.

Urge convencer os cristãos de que ser leigo é uma missão, não situação; e de que engajamento oficial é uma suplência de funções clericais, não ideal. Traduzindo em miúdos: a burocracia eclesiástica nunca poderá substituir a espontaneidade do amor. A caridade inventa, descobre caminhos, abre horizontes, flexibiliza, torna acessível com os braços abertos, arroupa com o calor da atenção. E quem tem de viver essa caridade é o povo cristão, não uma elite de “ortopráticos.

É claro que esperar tal atitude comprometida dos leigos supõe tê-los formado intensa e profundamente. E aqui a questão dá um nó: nada há mais distante da idolatria da práxis do que o estudo, a meditação e a oração.

26 de abr. de 2010

Quatro passos para uma nova mudança de paradigma

Mudança de paradigma

A ideia de paradigm shift foi popularizada por Thomas Kuhn, historiador americano da ciência. Para ele, paradigma seria “a constelação inteira de crenças, valores, técnicas, etc., compartilhados pelos membros de uma comunidade”. Quando se produz a substituição de um paradigma por outro, ocorreria uma transformação em bloco da perspectiva mais do que um desenvolvimento gradual.

Essa abordagem serve para explicar o fenômeno da demolição de princípios por conta da mutação dos costumes. Declara o ser humano incapaz de assimilar os valores subjacentes à cultura. Ora, uma árvore que perde as folhas no inverno não continua com seiva por dentro? Ou passa a circular pelo seu tronco outra substância? Por isso, penso que a transformação das formas de vida no último meio-século não sufocou as ânsias do coração humano e a transcendência dos ideias nobres.

Diagnóstico da situação

Consagram-se novidades insubstanciais e faltam propostas. A indústria do entretenimento e da frivolidade sistemática domina praticamente todo o público. Os poderosos da mídia e as vacas sagradas de um jornalismo pseudointelectual insuflam a histeria coletiva. Há um ambiente geral de ingenuidade simplista, de superficialidade e de escasso senso crítico e reflexão. Existe uma multidão amorfa à espera da última manchete sobre os namoricos e brigas de políticos, atores, modelos ou cantores da moda.

Tal vazio espiritual está na raiz do que, vira e mexe, se escuta por aí: “Estou em constante transformação”. “Gosto de aprender de mim mesmo”. “Preciso estar mais antenado”. “O tempo trará a solução”. Essa pataquada, no melhor estilo Raul Seixas, é uma conversa velha, que diviniza a própria fraqueza, que exorciza a mão amiga, que renuncia à reflexão, que vulnera o coração.

As condutas são pautadas basicamente duas linhas mestras: o hedonismo (prioridade para o prazer instintivo, material e imediato) e o permissivismo (tolerância indiscriminada, relativismo teórico e prático).

Soluções

Os efeitos colaterais dessa situação — fastio, sensação de vazio interior, mediocridade, perplexidade — são gritos silenciosos. E nossos aliados! Ninguém aguenta viver assim. Sugiro quatro remédios:

1. Propor uma melhora pessoal a cada amigo, individualmente. Claro que precisamos primeiro dar exemplo e ser amigo de verdade. Mas isso faz bem para nós e para o amigo. Para nós, pois exige altruísmo e autoavaliação. Para o amigo, pois as pessoas sentem falta de apoio e orientação. Além disso, todos agradecemos bastante as manifestações de interesse desinteressado. Por outro lado, convém dar esses conselhos em particular: dicas públicas soam muito mal e demonstram insensibilidade.

2. Educar o gosto pelo belo e o bom, recuperando o clássico nas artes, na literatura, na filosofia. Excelente forma de conhecer outras pessoas, de ter assunto para as conversas, de atrair os amigos para temas mais elevados, etc.

3. Mover a opinião pública e a atuar politicamente. Fazer barulho mesmo. Já que o megafone está na mão de qualquer imbecil, vamos usá-lo nós!

4. Apostar no serviço desinteressado aos outros (trabalhos sociais, voluntariado, etc.). Quando os ouvidos se fazem surdos, restam os olhos para ver. Ou seja, a sociedade pode recuperar seus princípios se vir a atuação eficaz e coerente de pessoas que se orientam por convicções.

7 de out. de 2009

Ideias para transformar o mundo

Segundo as Nações Unidas, voluntário é aquele que, devido a seu interesse pessoal e a seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo sem remuneração alguma a diversas formas de atividade organizadas ou não de bem estar social ou outros campos.

Cronologia do voluntariado

1244: São Pedro de Verona, mártir, organiza em Florença a mais antiga forma de voluntariado organizado
1582: o Bem-aventurado José de Anchieta funda o 
Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do Rio de Janeiro
1935: Getúlio Vargas promulga a 
Lei de Declaração de Utilidade Pública 993: Herbert de Souza, o Betinho, funda a Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida
1998: Fernando Henrique Cardoso sanciona a 
Lei do Serviço Voluntário e, no ano seguinte, a Lei do Terceiro Setor


Exercício democrático e função educativa do voluntariado
O ideal da democracia é a participação, mais do que a representatividade. Antes de mudar as estruturas, é necessário mudar a si mesmo: a própria forma de ver o mundo e de atuar na sociedade.
O voluntariado contribui para manter viva a sensibilidade aos valores mais nobres, como a fraternidade e a ajuda abnegada àqueles que se encontram em dificuldade, é uma “escola de vida” especialmente para os mais jovens, ajuda a dar um sentido e um valor mais elevados e fecundos à própria existência e pode servir como sondagem de aptidões e uma oportunidade de experiência profissional.


Há quatro âmbitos sensíveis do serviço social
a) a pessoa humana, promovendo sua dignidade;
b) a cultura, superando o pragmatismo, o narcisismo, o consumismo, etc.;
c) a economia, repensando seus modelos;
d) a política, discernindo os caminhos éticos para a realização dos princípios da sociedade.


Motivações e riscos
Há o risco de que o voluntariado se reduza a um simples ativismo. Para que as árvores continuem a dar frutos, as raízes devem conservar-se vivas e sólidas; daí a importância de dedicar momentos periódicos à formação, para aprofundar nas motivações.
Alguns marxistas, assim como Michel Foucault, criticaram aqueles que tentavam cauterizar sua consciência mediante a prática de obras de misericórdia. Por outro lado, o teólogo sueco protestante Anders Nygren consagrou nos anos 30 a distinção 
eros (amor que espera contrapartida) e agape (amor desinteressado), demonstrando a possibilidade de se praticar o amor sem recompensa.


Pluralismo, secularidade e inculturação
As vertiginosas mudanças sociais dos últimos séculos criaram um campo amplíssimo de atuação, que constitui o mais radical desafio da história. Esse pluralismo é bom, mas necessita de instrumentos de união e diálogo para não cair na falsa disjuntiva público – privado. Nesse sentido, um patamar a ser conquistado é a autonomia integrada das esferas religiosa e estatal: a secularidade significa ser do mundo e responsabilizar-se por ele, mas a fé acolhida, pensada e vivida também faz-se necessariamente cultura.
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