Mostrando postagens com marcador Luminotécnica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Luminotécnica. Mostrar todas as postagens

1 de set. de 2009

Iluminância para cada ambiente da residência

Iluminância ou iluminamento é a luz projetada nas superfícies (expressa em lux).

Exterior — o tipo de efeito define a iluminância média
Como o pé‑direito é geralmente duplo e a fachada iluminada por grandes períodos, convém usar as lâmpadas refletoras de multi‑vapores metálicos (que reproduzem as cores com fidelidade, têm de longo alcance, baixo consumo e vida longa) com facho médio de 35 W.

Sala (de estar e jantar) — 100 a 250 lux
Sendo um amplo espaço com ambientes para estar e jantar, pode‑se delimitá‑los pelo mobiliário e pela luz. Recomenda‑se trabalhar com vários circuitos independentes e dimmerizados. Dimmer é o dispositivo que possibilita variar o fluxo luminoso (quantidade de luz produzida) das lâmpadas numa instalação a fim de ajustar o nível de iluminância.
Criam‑se, assim, tipos de cena:
a) no ambiente de estar: direcionar a luz com lâmpadas dicróicas em embutidos orientáveis para a mesa de centro, paredes, quadros, plantas e esculturas; abajures com incandescentes para as mesas laterais; para as poltronas ou chaise, luminárias de apoio com lâmpada incandescente;
b) no ambiente de jantar: sobre a mesa um lustre ou pendente, com lâmpada incandescente de acendimento independente e dimmerizado; junto do aparador, arandelas com incandescentes ou halógenas de baixa potência.

Home theater — 50 a 100 lux
Como as luzes ficam pouco tempo acesas para a exibição de imagens em TV ou telão, recomenda‑se a utilização de luz periférica com fachos fechados, focada na parede ou no piso, formando um corredor. O equipamento também deve ser iluminado com lâmpadas de fachos fechados, como algumas halógenas e dicróicas, para facilitar o manuseio. Um plafon com incandescente garante uma iluminação eventual de serviço. Convém instalar circuitos independentes e dimmerizados, com controle remoto.

Quarto — 50 a 200 lux
Sendo uma área íntima em que se repousa e se troca de roupa, convém estar dotada da maior variedade de efeitos de luz. Recomenda‑se luz difusa de plafon ou pendente com incandescente dimmerizada, estando os interruptores na entrada e ao lado da cama. À cabeceira, dão apoio abajur ou arandela. Se houver poltrona de leitura ou descanso, é necessária uma luminária com incandescente.

Escritório — 500 lux
A mesa de trabalho e a estante exigem boa luz, evitando os reflexos indesejados no monitor do computador. Geralmente há boa ventilação e condicionamento do ar. Recomenda‑se plafon difuso ou indireto com incandescentes para iluminação geral com dimmer para tornar a iluminação mais amena nos momentos de descanso; sobre a mesa uma luz de apoio com luminária para leitura ou abajur, com incandescente ou halógena; uma luminária de chão com halógena assiste bem à poltrona de leitura.

Cozinha — 300 a 500 lux
A manipulação dos alimentos requer boa reprodução de cor e ausência de sombras, pelo que a luz pode ficar o dia todo ligado e as cores claras predominarem no ambiente. A ventilação nem sempre consegue higienizar do calor e gordura excessivos. Recomenda‑se portanto lâmpada fluorescente tubular instalada numa calha de fácil manutenção e limpeza e luz de apoio, da mesma família (compacta, por exemplo), para a bancada de trabalho.

Banheiro — 150 lux
O acendimento da iluminação é curto. A bancada com o espelho requer boa reprodução de cor, predominando os tons claros. A ventilação deve purificar o ambiente dos vapores e gorduras. Recomenda‑se incandescentes ou dicróicas (não se requer lâmpadas de baixo consumo), em luminárias fáceis de serem lavadas e com proteção contra os vapores. As halógenas esquentam muito. Para iluminação geral, plafon com difusor e arandelas difusas acima ou lateralmente à bancada, preferentemente com incandescentes, pela falta de ventilação.

Corredor — 50 a 100 lux
Como a luz se acende e apaga constantemente, pode ser útil um timmer ou um sensor de presença.

31 de ago. de 2009

Sistemas específicos de iluminação não-residenciais


Iluminação pública e de monumentos
Nas cidades, a iluminação artificial noturna garante a circulação e a segurança das pessoas, realçando e destacando concomitantemente a arquitetura urbana. O nível de iluminamento deve ser proporcional à velocidade e quantidade de veículos que circulam pelas vias públicas, evitando causar ofuscamentos ou sombras que dificultariam a visão dos motoristas, o que se consegue através do controle da distribuição fotométrica e da alta eficiência luminosa. A diferenciação das vias primárias e secundárias pode‑se fazer alternando lâmpadas de vapor de mercúrio (branca azulada) e vapor de sódio (branca‑dourada, mais econômica e duradoura, mas que requer equipamento auxiliar específico).
Em estradas com difícil acesso da rede elétrica, as passarelas e pontos de ônibus podem ser servidos por postes com fontes autônomas de energia, equipados com painel solar e bateria selada.

A valorização de monumentos e fachadas exige cuidadoso estudo da área a ser iluminada, segundo a melhor localização e utilização dos projetores, suas formas e dimensões, seus refletores de longo alcance e aletas anti‑fuscamento, sua exposição, nicho, poste ou abrigo antifurto. A posição e o tipo de facho (aberto ou concentrado) variam conforme o efeito requerido. Para fidelidade de cores são melhores as lâmpadas de multi‑vapores metálicos, cuja luz assemelha‑se à solar.

Jardins e paisagismo
As áreas externas ajardinadas, ao serem iluminadas, requerem — mediante baixo consumo de energia (irradiando pouco calor) e longa durabilidade (exigindo pouca manutenção) — que os pedestres e veículos tenham segurança na circulação e fique realçado o aspecto decorativo sem prejuízo do crescimento natural da vegetação.

As forrações e a circulação de usuários pedem iluminação suave sem ofuscamento, propiciada por lâmpadas compactas em balizadores com difusor em vidro fosco. Para iluminação geral, com maior intensidade luminosa, convém escolher — para postes refletores de 3 ou 4,5m — dentre as lâmpadas de vapor metálico aquela que dá a tonalidade de cor requerida (levando‑se em conta, por exemplo, que a de vapor de sódio atrai menos insetos). Nas áreas de maior destaque, os projetores direcionam fachos de luz abertos ou concentrados, podendo estar providos de aletas antiofuscantes.

Condomínios e áreas comuns
Esse tipo de iluminação exerce forte influência nos custos finais de taxas de condomínio devido à grande quantidade de pontos de luz e utilização prolongada. Contudo, garante a segurança, define as áreas de acesso, valoriza as áreas de lazer e decora a edificação.

Lâmpadas incandescentes compactas proporcionam economia de energia, menor transmissão de calor ao ambiente e reposição menos frequente. Pelo seu tamanho reduzido, permitem o uso de luminárias de pequenas dimensões: embutidas, com refletor em alumínio anodizado, ou plafons, com refletor em alumínio polido, para áreas internas; balizadores, com difusor em vidro transparente, ou postes baixos, com difusor em vidro fosco, para áreas externas.

Para áreas extensas, como jardins, é melhor utilizar postes de 3 ou 4,5 m de altura, com refletor em chapa de alumínio e difusor em vidro transparente temperado, equipados com lâmpadas de descarga de alta pressão.

Escolas, bancos e escritórios
Tais equipamentos exigem um sistema de iluminação eficiente: o conforto dos usuários — dado pela pouca radiação de calor, uniformidade da luz e eliminação de ofuscamentos — deve estar unido à economia de energia — vida útil mais longa, mais luz por watt consumido —, o que se consegue cuidando especialmente da integração das lâmpadas com as luminárias, maximizando os resultados.

As lâmpadas com fiel reprodução de cor associadas a refletores parabólicos especulares (índice de reflexão da ordem de 95%), dotados de aletas transversais parabólicas, os quais distribuem a luz num ângulo de 50º e proporcionam variação mínima entre luz e sombra, formam um sistema que garante o conforto visual eliminando os reflexos indesejáveis, especialmente provocados em monitores de terminais de computadores.

Bares e restaurantes
Em áreas de alimentação deve‑se inspirar bem estar e aconchego nos usuários. É interessante diferenciar setores de uso geral e privado mediante variações da intensidade luminosa com harmonia da tonalidade de cor de luz e do nível de iluminação pretendido. O conforto se dá quando, para pouca luz, o tom tende ao amarelo e, quando há mais, para o branco. Também é fundamental que as fontes luminosas garantam um excelente índice de reprodução de cor, valorizando a decoração e a aparência dos alimentos servidos.

A iluminação geral pode ser obtida indiretamente com sistemas de luz fluorescente ou diretamente através de luminárias embutidas com refletor, preferindo‑se as fluorescentes compactas pela menor carga térmica. Os balcões, buffet, centro das mesas etc. podem ser destacados através de iluminação direcional e concentrada em luminárias decorativas (semi‑embutidas com difusores em vidro fosco ou arandelas), podendo‑se também focalizar à distância com lâmpadas halógenas em refletores metálicos.

Museus e galerias
O destaque dos objetos expostos exige que as lâmpadas apresentem elevado índice de reprodução de cores, tonalidade adequada; que o sistema seja versátil, permitindo alternativas de posicionamento; que tenha uma fácil manutenção. O projeto deve dirigir a iluminação aos objetos, criando contrastes de luz e sombra, definindo volumes e dramaticidade visual, sem ofuscamentos.

Lâmpadas halógenas de vapor metálico com capa anti‑ofuscante focalizam a longa distância com fachos de até 3º de abertura. No caso de sensibilidade ao calor podem ser usadas dicróicas, ainda que a abertura do facho seja maior. As luminárias nesses casos são spots discretos, podendo inclusive estar adaptados a um trilho eletrificado que favorece a iluminação dinâmica. No geral, convém usar fluorescentes de alta fidelidade de cores para iluminação indireta ou arandelas e spots equipados com lâmpadas de descarga de multivapores metálicos. Quando o pé‑direito for muito elevado, essas lâmpadas podem ser usadas em luminárias embutidas para iluminação geral direta. Convém prever filtros de borossilicato e a distância mínima a que as fontes de luz deverão ficar das obras expostas.

Clínicas e hospitais
Enquanto áreas simultaneamente de atendimento médico e lugar público, reclamam iluminação constante, segura, satisfatória e econômica. Daí que o sistema luminotécnico deva ter elevada eficiência, pouca manutenção e durabilidade.

A melhor solução recai em sistemas de lâmpadas fluorescentes, com luminárias moduladas que associem iluminação de emergência e sonorização. Lâmpadas Luz do Dia (6.000K) realçam especialmente a higiene dos cômodos.

Hotéis
A iluminação é cartão de visitas desse tipo de estabelecimento. Precisa também ser eficiente, diminuindo a manutenção e tendo alto rendimento.

Um sistema geral adequado aos vestíbulos, recepção e corredores é o das lâmpadas fluorescentes compactas em luminárias com refletor de alumínio anodizado alto brilho. A iluminação de destaque, que atrai a atenção do usuário para a recepção, pode contribuir para a decoração com difusores em vidro fosco ou valorizar alguma obra de arte através de lâmpadas halógenas em refletores metálicos.

Nas salas de conferência, convém utilizar lâmpadas fluorescentes em luminárias embutidas visando a leitura, podendo‑se também integrar ao mobiliário local luminárias de mesa que dão ao ambiente um toque acolhedor.

Centros de informática
Na concepção de escritórios, deve‑se buscar que o trabalho seja agradável e o menos cansativo, eliminando os brilhos indesejados nos monitores dos computadores.

Os refletores parabólicos de alto rendimento, associados a aletas transversais parabólicas, concentram, uniformizam e direcionam o fluxo luminoso num ângulo de 50º, evitando os ofuscamentos.

Indústrias e galpões
É necessário conferir a cada área de trabalho o nível de iluminação correto, evitando ofuscamentos e permitindo alto padrão de reprodução de cores, visando a segurança e a maior produtividade dos funcionários, evitando o cansaço e os acidentes de trabalho. É fundamental associar esses objetivos a um sistema econômico e de baixa manutenção, reduzindo os custos operacionais. Por isso, as lâmpadas de descarga são as mais indicadas.

Recomendam‑se, no caso de o pé‑direito ser relativamente baixo, a fim de garantir a homogeneidade na distribuição da luz e comodidade visual, fluorescentes em luminária com refletor interno branco e alojamento para equipamento auxiliar (podendo ter aletas antiofuscantes em polietileno leitoso anti‑estático, que repelem pequenas partículas e dificultam o acúmulo de poeira), fixada por canopla, base, adaptador para trilho eletrificado ou adaptação para perfilados.

Lâmpadas de vapor de mercúrio — melhores que as mistas tanto na durabilidade quanto na luminosidade — têm moderado índice de reprodução de cores, podendo ser usadas em galpões de pé‑direito elevado. No caso de gráficas, tecelagens ou setores industriais que exijam elevada fidelidade cromática, é indicado o emprego de lâmpadas multivapores metálicos. As de vapor de sódio são indicadas para estocagem, metalurgia, siderurgia ou montagens por serem as mais econômicas e poderem ser utilizadas em luminárias com refletor de alumínio anodizado alto brilho, fixadas contra o teto ou pendentes de perfilados com caixas de alimentação, facilitando a manutenção e a versatilidade.

Lojas e galerias
O objetivo da iluminação em lojas é valorizar o produto e atrair o consumidor. Para isso, utilizam‑se equipamentos que proporcionem excelente nível de iluminação, ótima reprodução de cores, menor aquecimento do ambiente e ausência de ofuscamentos, sem desperdício de energia elétrica.

A iluminação geral se consegue satisfatoriamente com fluorescentes compactas de cor branca neutra em luminárias embutidas com refletores de alumínio anodizado alto brilho.

No interior das lojas, a iluminação localizada valoriza os produtos nas prateleiras, araras e balcões mediante fachos concentrados focados a longa distância ou através de lâmpadas dicróicas mais próximas em luminárias discretas de fácil manuseio. Outra opção mais versátil e dinâmica, especialmente para vitrines, é o sistema de trilho eletrificado com spots. As vitrines e prateleiras podem precisar de um «banho de luz» (wall‑wash), isto é, sendo grandes superfícies, receberem muita luz por igual, o que se consegue através de halógenas de potência superior a 100W ou, ainda melhor, de lâmpadas de multivapores metálicos.

20 de ago. de 2009

Etapas do projeto luminotécnico II


Seguir as técnicas e os tipos de iluminação
As soluções seguirão alguma das técnicas típicas de iluminação, que implicarão na definição dos equipamentos:

1. Iluminação Geral (uniforme):

a) Difusa: proporcionada por plafons, tocheiros, embutidos com lâmpadas fluorescentes compactas (com ligeiro direcionamento) e calhas fluorescentes, além de abajures e arandelas protegidos com vidro fosco ou opaco. Não produzindo sombras nítidas, é ideal para iluminar ambientes e tarefas.

b) Direta: por embutidos, plafons cilíndricos, pendentes, spots e luminárias de mesa. Projetada diretamente para baixo, chão ou mesa, também se recomenda para luz ambiente, mas pode gerar contraste excessivo quando não se distinguem pormenores nas zonas de sombra.

c) Indireta: com plafons, tocheiros, embutidos para parede e sancas, projeta‑se a luz no teto, parede ou outra superfície refletora. Usa­‑se para iluminação geral e uniformizada dos ambientes, apesar do mais elevado custo e consumo. O rendimento depende da altura do foco luminoso, das dimensões do lugar a ser iluminado e das texturas e cores das superfícies refletoras (branco: 83%, marfim: 70%, cores médias: 25%, intensas: 12%, escuras: 6%, negro: 4%).

d) Semi‑direta: por abajures. Lança a luz simultaneamente para cima e para baixo, com rendimento médio.

2. Iluminação Localizada (para zonas que reclamem tratamento diferenciado):

a) Direcional: por conjunto de balizadores ou postes. Valoriza certos planos pela incidência predominante numa direção particular.

b) Destaque: spots e embutidos com possibilidade de abertura do foco. Serve para evidenciar algum elemento de decoração ou arquitetônico por meio da dramaticidade do foco.

c) Local: por luminárias decorativas. Sempre combinada com um dos tipos anteriores.

Definir os equipamentos
As opções de projeto são as fontes de luz (lâmpadas e acessórios) e as luminárias (de variada aplicação e formas de controle).

As lâmpadas tradicionais podem ser:

1. Incandescentes (emitem radiação na parte visível do espectro quando aquecem eletricamente seu filamento a altas temperaturas):

a) Refletoras: com espelho na superfície interna do bulbo.

b) Halógenas (de quartzo): o gás halógeno (iodo, flúor, bromo) impede que a evaporação das partículas de tungstênio do filamento da lâmpada escureçam o bulbo. Podem ter refletor dicróico (que filtra os raios ultravioleta e direciona para trás da lâmpada 60% do calor emitido).

2. De descarga elétrica (num gás ou vapor ionizado, combinado ou não com a luminescência de fósforos):

a) De baixa pressão: fluorescentes tubulares ou compactas e lâmpadas de sódio de baixa pressão.

b) De alta pressão: lâmpadas de mercúrio de alta pressão, de vapor metálico, de luz mista, de sódio de alta pressão.

As luminárias são classificadas por critérios fotométricos ou, de modo mais geral, pela distribuição do fluxo luminoso ou do componente direto da luz, pelas condições de operação, pela proteção elétrica, pela referência ao tipo de lâmpada usada ou ao sistema de aplicação. Também pode ser classificada conforme seu aspecto decorativo ou método de fixação:

a) coluna e toucheiro;
b) luminárias de mesa e abajur;
c) arandela;
d) pendente ou suspensa;
e) plafon;
f) embutido e semi‑embutido;
g) spot;
h) projetor;
i) calha e afins;
j) balizador e poste.

Etapas do projeto luminotécnico I


Determinar o sistema predominante
Uma das primeiras questões de um projeto arquitetônico é decidir o sistema predominante de iluminação: sendo o artificial, haverá de optar pelas alternativas oferecidas pelas três grandes famílias de lâmpadas: incandescentes, fluorescentes e de descarga; sendo o natural, haverá de guiar‑se pelas condições do sítio geográfico e pela dinâmica desejada (incidência lateral ou zenital).

Se a iluminação natural lateral dos interiores tende a perder o desempenho à medida em que se afasta das janelas, a zenital garante uma iluminação mais regular e uniforme, exigindo porém maior proteção térmica (orientando‑se ao sul ou instalando‑se dispositivos contra a radiação solar). O inconveniente está por conta da alta densidade das metrópoles, em que os recuos laterais impossibilitam a captação suficiente da luz.

Além das características arquitetônicas, influem na definição do sistema as cores e os materiais dos pisos, paredes e tetos; o projeto de decoração, com a distribuição do mobiliário; as características e dimensões dos móveis.

Conhecer o usuário
A visão do usuário e sua percepção da luz também influem na escolha da iluminação artificial. Por exemplo, aos 60 anos as pessoas têm 20% menos acuidade visual e, aos 80, 40%; a acuidade visual já não cresce tanto a partir de 1.000 lux; o tempo de execução de tarefas já não diminui tanto a partir de 100 lux; a fotossensibilidade permite uma adaptação rápida do escuro para o claro mas demora de 30 a 50 min para o contrário.

É um requisito essencial, portanto, averiguar a atividade, os costumes, as prioridades e a idade do usuário.

Observar alguns fatores concernentes à iluminação
Devem ser levadas em consideração as características físico‑ambientais dos espaços, as exigências do entorno, a iluminação de emergência interna e externa (com sistemas independentes) e a distribuição da rede elétrica.

O equilíbrio entre luz e sombra também deve ser previsto: o direcionamento do foco de uma luminária pode gerar sombras marcantes, mas a ausência de sombra pode fazer desaparecer a textura de objetos e superfícies.

Do mesmo modo, deve‑se cuidar das reflexões e dos contrastes: o preto absorve mais luz, porém o branco a reflete mais, exigindo menos pontos de luz. Nos contrastes, o olho se adapta às superfícies maiores. Se forem mais escuras, as menores parecerão mais claras; se mais claras, as menores parecerão mais escuras.

A boa reprodução de cores está relacionada com a qualidade da luz que atinge os objetos, pelo que se deve buscar um índice de reprodução de cor (IRC) ideal por volta dos 80% (acima disso, por exemplo, numa cozinha — em que há necessidade de identificar o frescor dos alimentos pela aparência — e, abaixo, numa garagem).

Por fim, a temperatura de cor ou tonalidade da luz (do vermelho para o azul cresce a temperatura de cor em Kelvin) tem aceitação e rejeição variada conforme a região do país: em áreas quentes se prefere luz azulada (quente) e em áreas frias, avermelhada (fria). A sensação psicológica que se tem com as cores frias e quentes não pode ser confundida com a realidade da temperatura da luz: as cores frias inspiram frescor e as quentes, aconchego.

23 de jul. de 2009

Integração da luminotécnica no projeto de arquitetura


No dizer de Lúcio Costa, «Arquitetura é a arte de construir, com a intenção de ordenar plasticamente o espaço em função de uma determinada época, de um determinado meio, de uma determinada técnica e de um determinado programa». Assim, o projeto de luminotécnica não deve ser um complemento, mas efetivamente condicionará o projeto arquitetônico — sendo cada vez mais independente do projeto de instalações elétricas. Propiciará economia de energia, menores custos de execução, operação das instalações, melhores condições de conforto visual aos usuários e valorização arquitetônica de todo o empreendimento, interna e externamente.

A arquitetura, coordenando todas as disciplinas relacionadas com a edificação (cf. NBR 13531/1995), receberá do projeto luminotécnico informações pertinentes ao projeto de instalações elétricas, às interferências com a estrutura, o sistema de ar condicionado e o tratamento acústico, o paisagismo e a programação visual.

Qualidade total
Atender aos requerimentos do usuário tem uma ampla gama de implicações no projeto arquitetônico, que se podem resumir em 14 exigências básicas: segurança estrutural; segurança contra fogo; segurança quanto à utilização; estanqueidade; conforto hidrotérmico; pureza do ar; conforto visual; conforto antropodinâmico; higiene; adaptação à utilização; durabilidade; economia.
Para alcançar todos esses requisitos, um projeto criteriosamente coordenado perseguirá três objetivos: qualidade de projeto (diretrizes e parâmetros para integrar as disciplinas de projeto), qualidade de descrição (desenvolvimento do conjunto descritivo acompanhando o projeto executivo), qualidade de execução (facilidade em construir e adequação aos custos). O contributo específico da luminotécnica garante a qualidade de projeto quanto ao conforto ambiental (ao lado da ergonomia, do conforto visual e térmico, da ventilação e da acústica). Leva em conta as necessidades fisiológicas e psicológicas do usuário, a escolha da iluminação (natural ou artificial) e os objetos iluminados na sua relação com as atividades a serem realizadas nos espaços idealizados.

Premissas do projeto luminotécnico
As premissas de um bom projeto são:

a) determinar as necessidades de iluminação conforme as tarefas e limitações visuais, seguindo as normas;
b) projetar os sistemas de iluminação conforme as necessidades;
c) optar por lâmpadas de maior eficiência luminosa (quanto uma lâmpada gera de luz em relação ao que gasta de energia, expresso em lm/W);
d) escolher luminárias eficazes;
e) aplicar materiais de reflectância condizentes com o recinto;
f) integrar os sistemas de iluminação com os demais, especialmente o de climatização, o de combate a incêndio e o de sonorização;
g) tornar flexível o acionamento da iluminação, facilitando o apagamento total ou a redução de luz em certos setores;
h) combinar a luz artificial com a natural;
i) estabelecer um programa de manutenção e limpeza das luminárias;
j) em obras grandes, desenvolver um estudo de rentabilidade, segundo o consumo energético.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...