Mostrando postagens com marcador Euterpe. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Euterpe. Mostrar todas as postagens

30 de mai. de 2014

Quatro formas de olhar

Olhar indiferente

A vida imita a arte porque a vida é monótona. A arte quando imita a vida é novela chata. Quero a surpresa, quero o inusitado. Falta sal, falta brinde.

Para que olhar? Seduza-me.

Olhar através

Triste olhar de quem perdeu a perspectiva. Miopia da vida que ignora o que vê, que se faz cega por fechar os olhos e não pelo ofuscamento de contemplar de frente o Sol.

A quem olhar? Hora de acordar.

Olhar detalhista

Olhar esparramado sem foco nem respeito. Sem peito para enfrentar a vida, que vai furtivo de flor em flor sem nenhuma visitar. A multidão dos detalhes desagrega, confunde, perde, desvia.

Para que olhar tanto? Procuro um quê ou procuro um quem?

Olhar abarcante‎

Meus olhos brilham para ti, canta Marisa Monte, porque a verdade é uma ilusão vinda do coração. O amor não idealiza, ele concretiza. Porque sem ele a realidade é cinza. Porque como vamos desejar o que é imperfeito se o olhar amoroso não conferisse a quem é olhado a visibilidade que lhe falta?

Para que olhar tudo? Basta olhar você.

16 de dez. de 2013

A escolha mais sábia

Hermannus Contractus da Suábia (18/7/1013-24/9/1054) foi um monge beneditino coxo, apelidado justamente de Contractus por ter as pernas contraídas.

Por muito tempo, implorou com insistência à Mãe de Deus que o libertasse da sua enfermidade, até que um dia a própria Virgem Maria lhe apareceu dizendo:

— Meu filho querido, em razão de tuas preces, eu obtive para ti um desses dois favores: ou tu continuas a ser enfermo, mas bem versado em muitas ciências, tanto humanas quanto divinas; ou tu serás curado, mas permanecerás adornado com a inteligência que tiveste até agora. Escolhe um dos dois, pois ambos os favores não poderás ter.

Hermannus sabiamente optou pelo primeiro e, desde então, começou a fazer progressos intelectuais sem paralelo. Tornou-se compositor, músico, matemático, astrônomo, historiador e teólogo, além de versado em grego e árabe. Também construiu instrumentos musicais e astronômicos. Suas obras podem ser lidas em http://flaez.ch/hermannus/.

Pode-se dizer que sua maior sabedoria foi fazer tal escolha.

Em consequência de tão singular favor, Hermannus nutriu enorme devoção por Maria Santíssima, a quem compôs belíssimos hinos e melodias, até hoje executados, como o tonus solemnis da Salve Regina. De sua lavra, destaca-se o maravilhoso Alma Redemptoris Mater, que é a antífona maior do Advento e do Natal.


Hermannus teve seu culto como bem-aventurado confirmado em 1863.

Relíquias de Hermannus Contractus

29 de abr. de 2013

Corações partidos


No ponto 145 de Caminho, São Josemaria cita uma música tradicional espanhola, de autor anônimo.

Deixo aqui uma gravação que não é das melhores, mas que dá uma boa ideia.

Frente de Madrid. Uma vintena de oficiais, em nobre e alegre camaradagem.
Ouve-se uma canção, e depois outra e mais outra.

Aquele jovem tenente de bigode escuro só ouviu a primeira:

“Corações partidos,
eu não os quero;
e se lhe dou o meu,
dou-o inteiro”.

“Quanta resistência em dar meu coração inteiro!”
— E a oração brotou em caudal manso e largo.

24 de nov. de 2009

Apenas uma vez (Once)

Gostei de assistir ao filme irlandês Apenas uma vez, dirigido por John Carney e estrelado por Glen Hansard e Markéta Irglová.

John Carney encomendou a Glen Hansard, líder da banda The Frames, dez canções para que, a partir delas, o roteiro fosse desenvolvido. John já tinha trabalhado para Glen, o qual se sentiu honrado de poder retribuir trabalhando no musical. O trabalho rendeu o Oscar de melhor canção para Falling Slowly.

O drama fala de dois corações partidos que se unem por causa da música, mas que sabem ser fiéis a seus compromissos (Glen à namorada e Glen ao marido).

John Carney gosta de argumentos simples. Segundo ele, que caibam num selo postal. Talvez por isso o filme não tenha sido unanimidade: a singeleza do tema vai de mãos dadas com a timidez de Markéta, excelente musicista, mas péssima atriz.

As filmagens, que ocorreram em apenas 17 dias, com o custo de US$ 150 mil, renderam 85 min que parecem documentário. Tem gente que fica com impressão de estar conhecendo uma história real ou de que a dupla de músicos de fato trabalha junto. Bob Dylan gostou tanto que convidou Glen e Markéta a fazerem o show de abertura em parte de sua turnê mundial.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...