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30 de mai. de 2012

Tweet budista ou teresiano?

Certa vez, twittei as seguintes palavras de Santa Teresa:

Quem está preso a alguma coisa, é sinal que a estima; se a estima, forçosamente terá pesar de deixá-la, e deste modo já anda tudo imperfeito e perdido. É o caso de dizer: perdido anda quem anda atrás do perdido. E que maior perdição, que mais cegueira e desventura do que ter em muito o que nada é?

Aí me veio o seguinte comentário:


Não entendi o que o Buda tinha a ver com o assunto, já que seu motivo do desapego era o nirvana (isto é, a extinção definitiva do sofrimento humano alcançada por meio da supressão do desejo e da consciência individual), o que nada tem a ver com o realismo e a pobreza cristãos.

Para fazer entender melhor, completei que há dois modos de se desapegar: ou largar tudo, ou usar bem.

Acho um tão difícil quanto o outro. Negócio é descobrir nosso caminho pessoal. Uns saberão usar sem possuir; outros sentirão a necessidade de jogar tudo pela janela para conseguir plena liberdade. Pois convenhamos que a pobreza não é fácil de entrar na cabeça.


Prefiro minha querida Teresa de Ahumada, mulher mística que não fugia da luta, embora o dela não seja o meu caminho.

*****

Qual é o seu caminho? Renunciar a tudo ou usar com desprendimento?

12 de nov. de 2011

Dupla dimensão da Palavra

Em hebraico, o termo “palavra” (דְבָּר) significa literalmente “estar por trás e empurrar”, ou seja, indica tanto a “palavra que diz” quanto a “coisa que é dita”.

Portanto, “palavra” tem duas dimensões: a lógica e a fática. Ela é tanto noética (Ex 4,15.28.30; 19,6; 20,1; 24,3s), quanto dinâmica e criadora (Sl 33,6; 147,15; Is 55,16s; Sb 18,14s; 16,12). Por isso, palavra e sabedoria foram assimiladas em Sb 9,1s.

São João traduziu דְבָּר por λόγος (de valor noético). Não pretendeu, porém, seguir a abstração não‑messiânica de Fílon, nem fez de Cristo o “princípio ordenador do universo”, segundo o pensamento de Heráclito.

O “Verbo” de São João (Jo 1,1-18) supera a confusa intuição helênica: é fonte da vida e luz sobrenaturais, Palavra “de graça e de verdade” (Jo 1,17), de bênção eficaz e sabedoria.

Finalmente, verbum em latim (que também é sinônimo res, “coisa”) resgata tanto o valor noético quanto dinâmico de דְבָּר.

Nesse mesmo sentido, Santa Teresa dirá de Deus que “suas palavras são obras” (Vida, 25, 19).

4 de fev. de 2010

Centos de livros para ler

Após tantas postagens sobre leitura, deixo aqui uma lista dos “obrigatórios” em minha modesta opinião.

Repare que tento fazer um apanhado geral, com base em gêneros, assuntos e culturas. Portanto, as obras seriam substituíveis por outras similares, conforme o gosto do freguês.

Como somos lusoparlantes, penso que livros de nossa lavra são também essenciais.

Bon appétit!

TEATRO
  • Ésquilo, Oresteia
  • Sófocles, Trilogia Tebana
  • William Shakespeare: Hamlet, Macbeth
POESIA
  • Dante Alighieri, Vita nuova
  • T. S. Eliot
  • Carlos Drummond de Andrade
  • Manuel Bandeira
  • Fernando Pessoa
  • Bocage
EPOPEIA
  • Homero, Odisseia
  • Virgílio, Eneida
  • Anônimo, Beowulf
  • Anônimo, A Canção dos Nibelungos
  • Dante Alighieri, Divina Comédia
  • Camões, Os Lusíadas
  • John Milton, Paraíso Perdido
ÉPICO
  • Dom Quixote
  • Anônimo, Lazarillo de Tormes
LITERATURA EM GERAL
  • Machado de Assis: os livros da segunda fase (a partir de 1881)
  • Raimundo Lúlio, O livro das bestas
  • Jonathan Swift, Viagens de Gulliver
  • Jane Austen, Orgulho e preconceito
  • Lewis Carroll: Alice no País das Maravilhas, Através do espelho
  • Leon Tolstoi, Ana Karenina
  • Fiodor Dostoievsky: Crime e castigo, Os irmãos Karamazov
  • Joseph Conrad, O coração das trevas
  • Eugene Ionesco, O rinoceronte
  • Thomas Mann, Doktor Faustus
  • Constantin Virgil Gheorghiu, A vigésima-quinta hora
  • Michael Ende, A história sem fim
  • João Guimarães Rosa: Sagarana, Grande sertão: veredas
  • Antoine de Saint-Éxupéry: O pequeno príncipe, Cidadela
  • J.R.R.Tolkien: Silmarillion, O senhor dos anéis
ENSAIOS
  • T. S. Eliot, Ensaios
  • G.K.Chesterton, Ortodoxia
BIOGRAFIAS
  • Agostinho de Hipona, As confissões
  • John Henry Newman, Apologia pro vita sua
  • Salvador de Madariaga, Hernán Cortés
  • Marcelle Auclair, Santa Teresa de Ávila
  • Stephan Zweig: Magalhães, Maria Stuart, Fouché, Maria Antonieta
  • Emil Ludwig, Napoleão
  • David Downing, C. S. Lewis, o mais relutante dos convertidos
FILOSOFIA
  • Aristóteles: Metafísica, Ética a Nicômaco
  • Platão: Fédon, Banquete
  • São Tomás de Aquino: Suma contra os gentios, Suma Teológica
  • Edith Stein: Ser finito e ser eterno, A mulher
  • Miriam Joseph, O Trivium: As Artes Liberais da Lógica, Gramática e Retórica
ANTROPOLOGIA
  • C.S.Lewis: Os quatro amores, Dor
  • Viktor E. Frankl, Psicoterapia e sentido da vida
TEOLOGIA
  • Bíblia (especialmente Gn 1–Ex 20; Livros Sapienciais, especialmente Jó, Sb e Eclo; Novo Testamento)
  • Confúcio, Analectos
  • Catecismo da Igreja Católica (especialmente a parte IV)
  • Concílio Vaticano II, Gaudium et spes
  • João Paulo II: Fides et ratio, Veritatis splendor, Centesimus annus; Cruzando o limiar da esperança, Memória e Identidade
  • Bento XVI: Deus charitas est, Spe salvi, Charitas in veritate; Jesus de Nazaré (2 vol.); Fé, verdade e tolerância

HISTÓRIA E SOCIOLOGIA
  • Régine Pernoud, Idade Média, o que não nos ensinaram
  • Johann Huizinga, O declínio da Idade Média
  • Christopher Dawson, A formação da Europa
  • Jakob Burckhardt, A cultura do Renascimento na Itália
  • Thomas More, Utopia
  • A. Moorehead, A revolução russa
  • Gilberto Freire, Casa grande e senzala
  • Sérgio Buarque de Holanda, Raízes do Brasil
Conto com sua ajuda para aprimorar esta lista!
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