Portanto, “palavra” tem duas dimensões: a lógica e a fática. Ela é tanto noética (Ex 4,15.28.30; 19,6; 20,1; 24,3s), quanto dinâmica e criadora (Sl 33,6; 147,15; Is 55,16s; Sb 18,14s; 16,12). Por isso, palavra e sabedoria foram assimiladas em Sb 9,1s.
São João traduziu דְבָּר por λόγος (de valor noético). Não pretendeu, porém, seguir a abstração não‑messiânica de Fílon, nem fez de Cristo o “princípio ordenador do universo”, segundo o pensamento de Heráclito.
São João traduziu דְבָּר por λόγος (de valor noético). Não pretendeu, porém, seguir a abstração não‑messiânica de Fílon, nem fez de Cristo o “princípio ordenador do universo”, segundo o pensamento de Heráclito.
O “Verbo” de São João (Jo 1,1-18) supera a confusa intuição helênica: é fonte da vida e luz sobrenaturais, Palavra “de graça e de verdade” (Jo 1,17), de bênção eficaz e sabedoria.
Finalmente, verbum em latim (que também é sinônimo res, “coisa”) resgata tanto o valor noético quanto dinâmico de דְבָּר.
Nesse mesmo sentido, Santa Teresa dirá de Deus que “suas palavras são obras” (Vida, 25, 19).
