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5 de out. de 2013

Quem foi Jeremias

Jeremias, oriundo de família sacerdotal, consagrado por Deus desde antes de nascer para uma missão precisa de eficácia comprovada (Jr 1,1.5.9), é o tipo mais perfeito de Cristo.

Biografia

Tendo recebido a vocação em 627 aC, passou a denunciar a apostasia do seu povo (Jr 2–6). Diante da morte prematura de Joacaz, que quisera continuar a reforma religiosa de seu pai, dedicou-lhe sentida elegia (Jr 22,10-12).

Durante o reinado de Jeconias (609-598 aC), títere do Egito, Jeremias legou-nos as confissões (Jr 11,18-23; 12,1-6; 15,10-21; 17,12-18; 18,18-23; 20,7-18) de seu desalento e solidão, em que encarnou o sofrimento de Judá. Desse período é a declaração de seu celibato (Jr 16,1-9). Como pronunciara um duro discurso contra o Templo aquando da coroação de Joaquim (Jr 7; 26), foi decidida sua morte, depois evitada; de qualquer jeito, nunca mais pôde entrar no Santuário.

Tendo alertado o perigo do império neobabilônico (Jr 25) em 605 aC, acabou assistindo à primeira deportação oito anos depois. Nesse período já o vemos acompanhado por Baruc, seu fiel secretário (Jr 36; 45).

Como a nação se dividisse entre recorrer ao novo faraó egípcio ou aceitar Sedecias como rei enquanto Jeconias vivia no exílio, Jeremias advoga por submeter-se à Babilônia (Jr 24). Aos exilados, envia uma carta desenganando acerca das promessas de retorno iminente dos falsos profetas (Jr 29).

A paixão de Jeremias

Quando em 588 aC Nabucodonosor cercou Jerusalém, os fatos deram razão a Jeremias, o qual prenunciou a derrota (Jr 34), embora também sinalizando a restauração (Jr 32,4-14). Contudo, ele caiu em desgraça e sofreu a sua “Paixão” (Jr 38,14-28) — lançaram‑no a um suplício concebido para ser mortal —: confinado num tanque de lodo no subsolo de uma cisterna, não pôde ali nem sequer esperar o pão da miséria que se joga aos condenados, pois já não havia pão na cidade.

Um justo de origem estrangeira, oficial da casa do rei, chamado Abdemelec, conseguiu obter deste a ordem furtiva de tirar o prisioneiro de lá antes que expire. Retornou a uma detenção menos desumana no pátio da guarda do palácio real, quando o exército babilônio se preparava para o assalto decisivo. Quando cai Jerusalém, o profeta é protegido pelas autoridades babilônicas.

Tendo permanecido ao lado de Godolias (Jr 40,2-6), Jeremias se viu obrigado a acompanhar para o Egito os sediciosos que assassinaram o administrador ao cabo de três meses. Continuou sua pregação ali (Jr 42-44), até que, segundo uma tradição cristã, foi lapidado em Tafnes pelos mesmos cuja conduta merecera suas rigorosas reprovações.

Perene memória

Sua memória sobreviveu como de ardente defensor do Deus único (Eclo 49,8s). Diz-se que escondeu a arca da aliança, o altar dos perfumes e a Tenda da Reunião no monte Nebo enquanto Deus não reúne o seu povo, para que as vicissitudes da história de Israel não interrompesse a tradição litúrgica oriunda de Moisés (2Mc 2,1ss).

Ainda apareceu como protetor dos irmãos séculos depois, ao entregar em sonhos a Judas Macabeu, cheio de glória, a espada da vitória sobre os selêucidas (2Mc 15,13-16). Mesmo o povo no tempo de Cristo cogitará ser Jesus Jeremias ressuscitado (Mt 16,14). A matança dos inocentes e a compra do campo do oleiro são profecias a ele atribuídas (Mt 2,7s; 27,9s).

Obra literária

O livro dos Trenos se entende como um segundo epílogo a Jeremias, não necessariamente de sua autoria. Na Bíblia Católica, sempre na sequência de Jeremias (Jr) e Trenos (Lm) vêm o livro de Baruc (Br 1–5) e a chamada “Epístola de Jeremias” (Br 6). Discute-se se esta teria mesmo estado nos arquivos do profeta (2Mc 2,1a), pois o autor parece ter vivido na Babilônia: conhece pessoalmente seus costumes e práticas, particularmente o fausto cultual estimulado por Alexandre o Grande (tempo da 7ª geração: Br 6,2; dentre os que ficaram livremente na terra do exílio, após o edito de Ciro: Esd 1,5; cf. 7,16; 8,25; Ne 1,1; cf. 2,1.5-6).

A composição e a transmissão de Jr são bastante acidentadas. No século XX proliferaram hipóteses explicativas, que podem ser assim resumidas: a) O livro procederia de diversas fontes. b) O texto hebraico (massorético) seria uma atualização de um livro já terminado do qual possuiríamos a versão grega (dos LXX).

25 de mai. de 2013

As três montanhas de Moisés

O monte da Fé

Moisés foi apascentar as ovelhas do sogro madianita e chegou no Planalto do Sinai, no deserto de mesmo nome. Segundo uma tradição, alcançou o pico do Salgueiro (gebel Serbal), de 2.054 m de altura, que está quase a pique sobre um planalto a 1.500 m sobre o nível do mar, rico em águas.

Deus então lhe fala, através de seu Anjo, desde uma sarça que ardia sem se consumir. Se era uma variedade de ditamo branco (que segrega uma essência facilmente inflamável com calor intenso sem consumir as plantas donde emana), ou uma lorantácea (parasita das árvores desses climas, cujas flores vermelhas parecem brasas sob o sol pleno), não importa. O fato é que Deus lhe comunica que se tinha lembrado de seu povo oprimido no Egito e o chama a ser o seu libertador.

De pés descalços, Moisés ousa indagar pelo Nome de Deus e obtém em resposta o que torna esse episódio a teofania fundamental de toda a história da salvação: Deus lhe revela — com uma aparente recusa, reveladora ao mesmo tempo que ocultando, a santidade e a transcendência divinas — o seu Nome inefável: “Eu Sou Aquele Que Sou”: JAVÉ (YaHWeH).

A noção divina que o Nome JAVÉ representa é distinta e elevada, superior ao nome com o qual Deus se revelara a Abraão (Gn 17,1; 28,3; 35,11; Ex 6,3; 1Rs 20,23; Ez 1,24; 10,5), pois “Ele é” significa primariamente “Ele vive”, contraposto aos ídolos mortos; “Ele é” o Deus presente que “será” com Moisés e com o povo, como o foi com os patriarcas ((Ex 3,6.12.15).

O monte do Amor

Enfim o povo chegou ao monte Sinai, também chamado Horeb pelas tradições eloísta e deuteronomista, termo que significa “árido, seco”. É o “Pico de Moisés” (gebel Musa), com 2.285 m de altura, até onde Egéria peregrinaria em 383 AD.
Ao terceiro dia do mês de Sivã, Deus comunicou ao povo as suas “Dez Palavras” e transmitiu a Moisés o “Código da Aliança” (Ex 20,22–23,19), pacto selado com solene sacrifício de sangue (Ex 24,3-8) e Comunhão (Ex 24,9-11).

Aí nasceu Israel como povo livre (Lv 26,42-45; Dt 4,31; Eclo 44,21-23) e comprometido a observar os mandamentos e a Lei (Ex 20,1; 20,22–23,33; Dt 5,1-21). Em contrapartida, Deus prometeu fazê-lo seu povo particular e cercá-lo com sua proteção (Ex 19,4-8; Dt 11,22-25; 28,1-14).

A Lei de Deus (Js 24,26) é, pois, o conjunto das prescrições religiosas e civis colecionadas no Pentateuco, o qual, porém, contêm coleções (Ex 25–31; 36–40; Lv 1–16; 23–27; Nm 1–10; 17–19) diacronicamente incompatíveis que foram sendo acrescentadas pela tradição à legislação mosaica a fim de acomodá-la às novas circunstâncias da nação.

O monte da Esperança

“No final do caminho do Êxodo, destaca-se outro lugar elevado, o monte Nebo, donde Moisés pôde contemplar a Terra Prometida (cf. Dt 32, 49), sem a alegria de poder pisá-la, mas com a certeza de a ter finalmente alcançado. Aquele seu olhar a partir do monte Nebo é o próprio símbolo da esperança. Daquele monte, ele podia constatar que Deus tinha mantido as suas promessas. Uma vez mais, porém, devia confiadamente abandonar-se à omnipotência divina quanto ao pleno cumprimento do desígnio preanunciado.” (Bem-aventurado João Paulo II, Carta sobre a peregrinação aos lugares relacionados com a história da salvação, 6).
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