15 de set de 2009

Manipulação, pluralismo, tolerância

Agumas ideias soltas…

1. Objetar uma postura política é diferente de discriminar pessoas concretas
Às vezes, são apresentadas políticas públicas tão inovadoras quanto controversas, cujo mote é o benefício que seria prestado a certas “minorias”. Estas entram de calçadeira na agenda política, como se houvesse uma razão ética no fundo do discurso demagógico.

Quando alguém contesta uma proposta assim, pode ser acossado pelo grupo minoritário então beneficiado. Com base na opinião política do interessado, a “minoria” sente-se no direito de levantar suspeitas acerca de sua conduta pessoal.

2. Ortopráxis versus ortodoxia
É característico dos nossos tempos valorizar pessoas que demonstram uma postura consequente com suas palavras.

Por outro lado, tendemos a considerar intolerantes os que manifestam convicções claras acerca de temas polêmicos.

Há dois aparentes motivos para isso:
1. Como poderia alguém ter uma resposta “oracular”, na ponta da língua, para um assunto controvertido, se não fosse por razões dogmáticas e impositivas?
2. É fácil fazer declarações categóricas sobre assuntos delicados em que não estamos implicados. Agir assim demonstraria visão estreita da vida e dureza com os problemas dos demais.

Contudo, tais motivos são insuficientes para tachar uma pessoa de intolerante. Do contrário, estaríamos afirmando uma opinião como necessariamente correta, desrespeitaríamos o legítimo pluralismo e estaríamos duvidando do discernimento alheio.

3. Pluralismo
Plural significa muitos, não todos. Com a desculpa do pluralismo, cai-se no totalitarismo dos que se pensam donos da verdade e querem aprovar quaisquer desvarios.

Pluralismo é fruto de constante formação. Quem para de estudar, ler, pensar, torna-se mentalmente anquilosado. Repete ideias pré-concebidas, pouco elaboradas e com fundamento apenas no “eu acho que”.

Para exemplificar, copio de um fórum um típico discurso repleto de lugares comuns: “uma cidade moderna é aquela que é inclusiva para todas as tribos. Que não discrimina ninguém. Onde as pessoas podem exercer a sua individualidade da maneira que quiserem. E cada um fica na sua, respeitando a diversidade”. — Uma fala assim pega bem, mas também significa dogmatizar o relativismo. A peculiaridade fica transformada em norma.

4. Táticas “de minoria” e respeito pelas opiniões
Nem todas as opiniões têm o mesmo valor. O que tem o mesmo valor são as pessoas, e os fracos merecem maior atenção.

Portanto, diante de alguém que externe suas convicções com desassombro, nunca podemos tentar desqualificá-los. Convicção demonstra personalidade, não intolerância.

Tenho notado duas táticas “de minoria”, cujo único argumento é o politicamente correto:
1. O xingamentoarcaico, medieval, irracional, retrógrado, reacionário, pouco aberto, fechado.
2. A autopromoção: bancar de campeão da tolerância, modernidade, diversidade, individualidade, importância e interesse.

Espero nunca seja discriminado pelo fato de pensar diferentemente. E muito menos ofendido.

Um alerta: CUIDADO com o pensamento politicamente correto. Parece ética, mas é pura manipulação.

A partir de hoje, vou adotar o seguinte ditado:
Antes era proibido, agora já é tolerável. Que eu esteja bem quando se tornar obrigatório.
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