28 de jan de 2012

Fala aí, Doutor!

Minha singela e bem-humorada homenagem ao Doutor Angélico, o mais sábio dos santos e o mais santo dos sábios.

Art. 1 — SE É CORRETO USAR A EXPRESSÃO “SÃO TOMÁS”.
O primeiro discute-se assim — Parece que a expressão “São Tomás” está errada.

1. — Pois chama-se cacófaton à expressão acidentalmente formada pela sílaba final de uma palavra e pela inicial da seguinte. No caso, o nome do Aquinate soará para muitos “Santo Más”.

2. DEMAIS — Vieira usa SANTO Tomás, como a maioria dos autores clássicos (Frei Luís de Sousa, João de Barros, Contador de Argote).

3. DEMAIS — Alegam os protestantes que não se deve chamar os homens de santos, por mais ilustres que pareçam, pois só Deus é Santo (cf. 1Sm 2,2).

MAS, EM CONTRÁRIO — Por uma regra de adaptação morfofonêmica, o padrão da língua portuguesa é utilizar santo antes de nomes começados por vogal ou por h, e são antes dos nomes que iniciam por consoante.

SOLUÇÃO — O sistema adotado pelo castelhano é diferente do português. O Dicionário da Real Academia Española ensina que a forma santo é exclusivamente usada antes de Tomás, Toríbio, Tomé e Domingo. Em todos os demais casos, utiliza-se san (San Antonio, San Roque, San Pablo, San Andrés). Portanto, devido à proximidade entre o castelhano e o português, deve-se atribuir o prurido para com a expressão “São Tomás” a um castelhanismo difuso.

Por outro lado, o uso da expressão “Santo Tomás” produz uma espécie de aliteração ou eco que, em última análise, também poderia ser tido por cacofônico: “São Totó Más”.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. — O som feio, desagradável, impróprio ou com sentido equívoco, produzido pela união dos sons de duas ou mais palavras vizinhas, deve ser tido como verdadeiro cacófaton apenas quando gera expressão obscena, ridícula ou fora de contexto, o que não é o caso.

RESPOSTA À SEGUNDA. — A partir do séc. XVIII o padrão de adaptação morfofonêmica portuguesa veio se firmando, notando-se hoje a nítida preferência pela expressão “São Tomás”.

RESPOSTA À TERCEIRA — O costume de chamar os cristãos de santos vem de longa data e é atestado por São Paulo em suas cartas. Conforme o testemunho de São Josemaria: “‘Saudai todos os santos. Todos os santos vos saúdam. A todos os santos que vivem em Éfeso. A todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos.’ — Que comovente esse apelativo — santos! — que empregavam os primeiros fiéis cristãos para se designarem entre si, não é mesmo?! — Aprende a tratar com os teus irmãos” (Caminho, nº 469).
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