16 de set de 2009

Me & meme

Segundo o poema babilônico da criação Enuma elish, os primeiros deuses foram Apsu (águas doces) e Tiamat (mar). Mas o relacionamento do casal aquoso era um verdadeiro caos.


O filho deles, chamado Ea, um deus celeste conhecedor de todas as coisas, ficou irritado com a bagunça dos pais, mas apenas seu filho Marduc (Sol) conseguiria vencer as divindades do caos e organizaria o céu e a terra com os despojos da avó Tiamat.


Essa família problemática que eram os deuses babilônicos tem sua graça. Sua história era contada em termos de teogonia (nascimento dos deuses) e teomaquia (briga entre os deuses).


Os antecedentes mitológicos dessa narrativa foram os deuses sumérios, de quem escreverei proximamente. Agora quero apenas deixar constância de um troço peculiar que me deixou surpreso ao ler o livro Suméria, a primeira grande civilização (Amar HAMDANI, Editions Ferni, Otto Pierre Editores, Rio de Janeiro, 1978).


O troço chama-se ME.


O que é o me? Veja alguns dos seus possíveis significados: ser, poder sagrado, lei eterna, arquétipo, e outros tantos elementos materiais tomados sob a ótica imaterial.


Ou seja, os me aparecem nos relatos como um “balanço da civilização”, inalienáveis, inacessíveis à vontade dos deuses.


Curioso domínio fora do circuito dos deuses, pilares da civilização ao lado de seus próprios criadores.


Quando saiu o antigo Meme do Yahoo, enviaram-me um artigo de Wikipedia que explicava:
Um meme, termo cunhado em 1976 por Richard Dawkins no seu bestseller O Gene Egoísta, é para a memória o análogo do gene na genética, a sua unidade mínima. É considerado como uma unidade de informação que se multiplica de cérebro em cérebro, ou entre locais onde a informação é armazenada (como livros) e outros locais de armazenamento ou cérebros. No que diz respeito à sua funcionalidade, o meme é considerado uma unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se. Os memes podem ser ideias ou partes de ideias, línguas, sons, desenhos, capacidades, valores estéticos e morais, ou qualquer outra coisa que possa ser aprendida facilmente e transmitida enquanto unidade autónoma. O estudo dos modelos evolutivos da transferência de informação é conhecido como memética.
Apesar de eu achar Richard Dawkins uma das pessoas mais ignorantes do planeta, achei engraçada a coincidência entre o meme e o me: unidade de evolução cultural que pode de alguma forma autopropagar-se.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...