23 de jun de 2010

Sexo red bull, amor cachorro morto

Um estimulante

Todos corremos o risco de “sexualizar” nossas necessidades. Com efeito, o sexo é um intensificador. É uma das mais intensas experiências pelas que passamos. E tudo o que é marcado pelo sexo se torna mais vívido.

O sexo potencia os sentimentos. Torna mais colorido o mundo e sensíveis as impressões. Não à toa, aparece nas propagandas apelativas associado aos produtos mais díspares, desde óleo de soja até chumbinho de espingarda.

O sexo é uma experiência relacional. Carrega consigo uma promessa de realização e remédio para a solidão. Seu apelo é grande, entre outras razões, porque nossas necessidades são fundamentalmente relacionais.

O sexo tem caráter semiótico. Evoca qualidades simbólicas mediante um simples toque, a representação do controle sobre outra pessoa e o cultivo de uma relação.

Contudo, em vez de suprir carências, o sexo reduzido a um estimulante produz um vazio ainda maior. Isso ocorre tanto através da pornografia quanto através da exacerbação do aspecto “mecânico” da relação sexual, passando pela ânsia de maximizar o prazer e desfrutar de todas as possibilidades.

Algumas pessoas conseguem, após experiências turbulentas, reconhecer que tinham sexualizado suas necessidades existenciais. Outras tantas, porém, prosseguem adictas, penetrando cada vez mais fundo num deserto interior.

Viver a sexualidade à margem do compromisso matrimonial, de costas para o amor ou cegando as fontes da vida, equivale a comprar um título podre, dar chocolate belga pro hamster, pôr um vaso Ming no banheiro.

Dependência

Pode parecer excessivo falar de “dependência” sexual, como se o sexo fosse um narcótico. Mas é preciso admitir que os sintomas são bastante semelhantes: fantasia acentuada, emoções fortes, sensação de autocontrole, tendência à autodosagem e, finalmente, autodegradação.

A pornografia não é má apenas porque mostra muito. Sua ruindade é complexa: além de exibir demais, também não mostra o suficiente: apresenta o sexo sem o contexto. Falta a referência às pessoas envolvidas e ao comprometimento amoroso que tornaria real e significativo o encontro sexual. Pelo contrário, transforma as pessoas em objetos úteis ao deleite privado.

A pornografia, portanto, deforma a visão que se tem dos demais. A cerração da nuvem pornográfica impede ver as necessidades alheias e conduz, invariavelmente, ao desprezo das pessoas de carne-e-osso com quem se convive e à violência.

Castidade

A quem ficou preso nesse charco, o caminho para a libertação é reconhecer que se tem tal problema, contar com a ajuda de outra pessoa de confiança, eliminar todo tipo de conteúdo inconveniente, rezar pela cura e ter paciência com os retrocessos. Afinal, se a dependência levou tempo para se desenvolver, levará outro tanto para ser superada.

Por outro lado, não basta desfazer a ligação artificial entre o sexo e as necessidades existenciais. Tais anseios subsistem e exigem resposta. — Mas isso já é assunto para outra postagem!

A castidade torna o homem viril e audaz; enche o coração de compreensão e misericórdia; permite concentrar-se no trabalho e garante a disciplina; atrai as pessoas e facilita a amizade; possibilita a oração. Esta virtude, que é uma afirmação gozosa de amor, precisa ser revalorizada e reproposta com urgência, pois o amor anda doente.

  The Stats on Internet Pornography
Via: Online MBA
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