21 de jun de 2010

Mais vale um compromisso que mil opções

Câmara Cascudo explica que as festas juninas têm sua origem nas comemorações pagãs pela chegada do verão no Hemisfério Norte.

Como nossos atuais reveillón e carnaval, os dias quentes iniciados no solstício supunham banquetes especiais, músicas e encontros amorosos, resumidos como que simbolicamente na grande fogueira.

Bem mais inocentes, nossas festas trocaram tais encontros pela representação de um casamento de interior, animada por quadrilhas, canções e comidas típicas.

As divindades pagãs foram substituídas por Santo Antônio, São João Batista e São Pedro, cujas memórias caem respectivamente nos dias 13, 24 e 29 de junho (ou o domingo seguinte).

Santo Antônio acabou por atrair mais a atenção, especialmente do público feminino, devido à crença de ser casamenteiro. Nesse sentido, recebi as seguintes perguntas no extinto Formspring:

A fé reaparece na época da trezena de Santo Antônio?

Não é fé, é consciência do encalhamento.

Tem alguma simpatia para os encalhados?


Acho sacanagem enforcar a imagem de Santo Antônio enquanto ele não resolver seu problema.

Os encalhados encalharam, ou porque a maré estava muito baixa, ou porque lhes faltou habilidade no timão. Por isso, se não dá para levantar âncora, sugiro fazer a dança da chuva. Tanto num caso quanto no outro é preciso ter jovialidade. Afinal, entregar-se por amor é coisa de gente que ainda não está apegada aos próprios esquemas. Quanto mais velho se fica, mais dificilmente se resolve essa questão…

Sinto pena dos que só “curtiram” e não se entregaram quando jovens, pois correm o risco de terminarem sós. Está aí um engodo da moda: trocar o amor por aventuras. Não há maior aventura do que comprometer-se.


Completo dizendo apenas o seguinte: o amor romântico sempre se verá ameaçado pelas decepções; a caridade jamás, porque não busca seu próprio interesse.

Bom inverno pra você!
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