23 de abr de 2012

Sete passos para uma bem-sucedida JMJ Rio2013

Michael Cook escreveu acerca da JMJ ocorrida em Madri em 2011, aliás muito bem sucedida, a despeito da aura negativa com que a mídia teima em avaliar os eventos pontifícios.

Com base em suas ideias, pensei em sete providências para que a JMJ carioca de 2013 também dê seu fruto.

1) Que a nova geração assuma sua posição na Igreja

Eventos como World Youth Summit das Nações Unidas, ou mesmo shows do porte do Rock in Rio, embora reúnam milhares de jovens (e tantos não tão jovens), não se comparam às Jornadas Mundiais da Juventude, que costumam atrair milhões de peregrinos de centenas de países, os quais suportam o sacrifício de pagar uma longa viagem e de acomodar-se desconfortavelmente. A razão está no compromisso, na identificação com a Igreja Católica.

Portanto, o sucesso da JMJ passa pela interiorização desse compromisso. Sem dúvida, a desproporção da assistência indica que a próxima geração herdará os valores da Jornada e não dos shows patrocinados, mas isso não isenta da necessidade de assimilá-los e de traduzi-los em propósitos práticos, pessoais.

2) Aprender de Bento XVI, que dita a agenda moral do Ocidente

Desde antes de sua eleição, o Papa Bento alertava para a “ditadura do relativismo”. Seu ensinamento desmonta as atitudes politicamente corretas e a neutralidade moral e tem conseguido chegar aos ouvidos de autoridades aparentemente não tão dispostas a ouvi-lo, como as britânicas ou as germânicas, por exemplo.

Mas se o Papa tem feito gente alheia à Igreja pensar, poderíamos dizer o mesmo dos católicos (e dos católicos brasileiros)? Muitas vezes se tem a impressão, e especialmente no Brasil, que a maioria das pessoas ainda ignora as propostas lançadas por Bento XVI. Portanto, mãos à obra: é a hora de inteirar-se, ler, pôr a mão na cabeça e refletir um pouco.

3) Recorrer ao think tank de um homem só… que é de graça!

O crítico cinematográfico Neal Gabler, do New York Times, lamentou o fim do pensamento profundo e anunciou o advento da pós-ideia. Se isso é assim nas grandes metrópoles do Ocidente, não o é no Vaticano. E mesmo que setores intelligentsia não leiam a obra de Ratzinger sobre moral, filosofia, estética, economia e responsabilidade social, muitos jovens já leram.

Tamanha quantidade de ideias construtivas — acessíveis e gratuitas — promete deixar rastro e construir o futuro de uma geração carente de referenciais. E quanto a você, já leu também?

4) Encontrar a única saída para a CRISE (econômica, política, etc.)

Bento XVI anteviu esses e outros descaminhos e apontou respostas antes que as pessoas começassem a perguntar. A dimensão ética da economia não deve ser minorada nem substituída pela mera regulação.

A gratuidade é uma manifestação concreta da justiça e da caridade cristãs, que traz um remédio providencial para tais momentos de dificuldade. Impõe-se, mais do que nunca, redescobrir as múltiplas facetas da generosidade e do amor.

5) Renunciar ao consumismo e ao sexo desumanizador

Uma liberdade de mal com a verdade transforma-se em utilitarismo. O coração dos que reduzem sua liberdade à mera escolha atola-se no consumismo avaro e no hedonismo erótico. A desilusão é consequência óbvia.

A redescoberta de Deus inspira os sonhos de juventude, levanta o olhar para desafios que valem a pena, alargam o coração para os grandes ideais. Só contemplando a Deus pela oração e ouvindo sua Palavra é possível olhar para o homem e compreendê-lo.

6) Reafirmar que a verdade é mais forte que a utilidade

O discurso para os professores foi o mais memorável de Bento XVI na JMJ da Espanha. Propôs-lhes ensinar a verdade com o exemplo e com a palavra, mais do que mero know-how.

A questão aqui é como encaramos a vida universitária, problema que não afeta apenas o corpo docente, mas também o discente.

7) A JMJ ainda é o segredo bem guardado para o mundo

A cobertura jornalística das JMJs é paupérrima. Se um exíguo grupo de homossexuais fizesse barulho ou reunisse uma boa quantidade de gente disposta a presenciar extravagâncias, receberia holofotes. Não é de estranhar tão pouca atenção da opinião pública para um evento que reúne mais de um milhão de jovens? A JMJ das Filipinas, por exemplo, foi o ato mais massivo da história da humanidade, com quatro milhões de pessoas.

Dizem que o Papa alertou o prefeito do Rio de Janeiro que a JMJ trará um impacto para a cidade muito maior que a Copa ou as Olimpíadas, além de ser muito mais difícil de organizar. Provavelmente, as implicações políticas do encontro até facilitem sua prévia difusão midiática por via institucional.

De qualquer modo, é prioritário explicar para todo mundo o que é a JMJ. Vai na linha do conselho de São Rafael a Tobit: “É bom manter escondido o segredo do rei, mas é honroso revelar e celebrar as obras de Deus” (Tb 12,7a). Com isso, também se prepara a cidade para que não apenas tenha os braços abertos, mas saiba fechá-los num abraço caloroso ao Papa e aos peregrinos.

Contudo, talvez não seja tão peculiar essa miopia jornalística. Afinal, do mesmo modo que a mídia não anteviu a Primavera Árabe, nem a desintegração da União Soviética, etc., é incapaz de captar a história oculta dessas Jornadas.

Essa “história oculta” é capilar em todo o mundo através do fermento de cada jovem transformado pelo encontro com Jesus Cristo através da figura do Pontífice. Ele mesmo declarou aos jornalistas:

A sementeira de Deus é sempre silenciosa, não aparece imediatamente nas estatísticas. E com a semente que o Senhor lança na terra durante as JMJs, acontece como com a semente da qual Ele fala no Evangelho: algumas caem ao logo da estrada e perdem-se; outras caem sobre os pedregulhos e perdem-se; algumas caem entre os espinhos e perdem-se; mas algumas caem na terra boa e produzem muito fruto. Exatamente assim acontece com a sementeira da JMJ: muito se perde — e isto é humano. Com outras palavras do Senhor: o grão de mostarda é pequeno, mas cresce e torna-se uma árvore frondosa. E ainda, certamente, muito se perde, não podemos dizer imediatamente: a partir de amanhã recomeça um grande crescimento da Igreja. Deus não age assim. Mas cresce em silêncio e muito. Sei que das outras JMJs nasceram muitas amizades, e para toda a vida; muitas experiências novas de que Deus existe. E sobre este crescimento silencioso nós depositamos a confiança e estamos certos, embora as estatísticas não se pronunciem muito, de que a semente do Senhor realmente cresce e, para muitas pessoas, será o início de uma amizade com Deus e os outros, de uma universalidade do pensamento, de uma responsabilidade comum que deveras nos mostra que estes dias dão fruto.

*****

Não poderia terminar essas linhas sem fazer referência à análise que o próprio Papa fez da JMJ de Madri. Mas quanto aos cinco segredos que ele constatou em seu balanço, dediquemos uma postagem futura.
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