15 de nov de 2010

Elogio da culpa

Lembra-se de Superman 2? Para mim, foi um dos piores filmes a que já assisti. Contudo, alimentou abundantemente minha imaginação infantil.

Curioso é que me ficou indelevelmente gravada na memória a cena inicial, em que os juízes de Krypton condenam o general Zod e seus sequazes: enquanto uns bambolês metálicos giravam em torno dos réus, eles diziam, um de cada vez, seu veredito unânime:

— Guilty!

Já comentei sobre a negação da culpa moral e sua substituição por remorsos vãos. O tema, porém, retornou à mente — e por isso veio cair novamente a este blog —, por conta de algumas alusões recentes sobre a culpa com que travei contato.

A primeira das alusões ocorreu ao ler uma lista inusitada de certa twitteira recém-conhecida por mim. Deparei com a seguinte citação:


A segunda foi uma ideia de Bento XVI, no seu livro L'elogio della coscienza: la verità interroga il cuore: o Papa apresenta a culpa como um protesto da consciência pela vida acomodada, pela morte instalada, pela decomposição assumida.

A terceira consistiu numas conversas que tive a respeito da utilidade do exame de consciência como um salutar exercício do sentimento de culpa, mas como uma prática tida por bizarra para uma sociedade que nega a possibilidade do mal moral. Com efeito, muitos são introspectivos, poucos são humildes e penitentes.

Concluo este tema “medieval” com palavras da Baixa Idade Média (Isaac de Estrela, Sermo XI, 6 [PL 194, 1728 A]):

A Deus cabem o louvor e o perdão.
O louvor nós lhe damos,
o perdão dele esperamos.
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