Caminhos da humildade
Além da humildade diante da própria miséria, há outros lugares e momentos na vida em que nos aproximamos dos produtivos mananciais interiores da oração. Dentre esses espaços privilegiados destaca-se a escuta da Palavra divina na Escritura, a qual tem o poder de chacoalhar, despertar e perpassar o coração, abrindo-o para que a oração jorre e se eleve.Outras ocasiões favoráveis são: a enfermidade, a morte de um ente próximo, as calúnias, as tribulações, as privações; embora o coração se dilate mais por ser humilde do que por ser humilhado.
Na encruzilhada do coração
Encontramos todos esses momentos oportunos reunidos na Liturgia. A Igreja, perita em corações, soube harmonizar os ofícios dos templos de pedra com o “culto racional” (Rm 12,1: τὴν λογικὴν λατρείαν) dos corações de carne, ensinando-nos a rezar no contexto das nossas vidas e, inclusive, apesar desse contexto.Mas os filhos da Igreja também são filhos da cultura contemporânea, e seus desejos conflitosos lhes causam não poucas dificuldades interiores. O bulício exterior ensurdece o ouvido interior, impedindo o acesso à voz do homem escondido do coração.
Obstáculos do caminho
Três são as influências negativas que pesam sobre a atual cultura religiosa:- A redução do Evangelho a uma ideologia, orientando-o mais a padrões do que à vida.
- A redução do Evangelho a um ativismo, alienando da vida espiritual e transformando o anúncio em marketing.
- A redução do Evangelho à ética, cujo esquema moral impede a experiência interior.