11 de jan de 2010

Três motivos pelos quais as pessoas têm crenças sem professar religião


A cultura ocidental está atravessada por um sentido novo da presença de Deus, baseado numa visão mais “científica” da realidade: tudo se explicaria por nossas experiências quotidianas. Qualquer coisa que faça pensar em milagres é suspeita. Assim, os sacramentos (símbolos que aplicam a graça) são, no panorama religioso, menos evidentes do que antes.

A causa é a passagem cultural geral das formas tradicionais de religião a expressões mais pessoais e individuais, o que agora se define como “espiritualidade”. Na origem desta transformação há três motivos diferentes:

1) Sensação de que as religiões tradicionais ou institucionais não podem dar aquilo que outrora se afirmava que podiam oferecer. Não se consegue acreditar num Deus transcendente pessoal e a experiência leva a perguntar se Deus tem o poder de realizar transformações neste mundo, ou até se ele existe. O mal presente no mundo fez com que algumas pessoas se tornassem cínicas quanto à religião.

2) A força das religiões pagãs pré-cristãs na Europa levou com frequência a conflitos políticos, tachados de opressão cristã das antigas religiões. O neopaganismo tenta “contra-atacar” o cristianismo e voltar a uma forma mais autêntica de religião, mais intimamente ligada à natureza e à terra.

3) A obsessão na cultura ocidental pelas religiões orientais e os caminhos da sabedoria. A convicção crescente de que existe uma certa verdade de base, um núcleo de verdade no coração de toda experiência religiosa, levou à ideia de que se devem acolher os elementos característicos das diversas religiões para chegar a uma forma universal de religião. Além disso, há tempos existe interesse pelas religiões esotéricas nalguns círculos maçônicos.
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