29 de abr de 2011

Na cripta do coração


O Sirácida sentencia: “Deulhes discernimento, língua, olhos, ouvidos e um coração para pensar” (Eclo 17,6). Ora, do coração (לֵב) — que é o “fundo do ser” (Jr 31,33) — procedem os pensamentos, assim como o movimento das paixões e as decisões morais (cf. CCE 368, 1764 e 2517).

“O coração é a casa em que estou, onde moro (segundo a expressão semítica ou bíblica: aonde eu ‘desço’). Ele é o nosso centro escondido, inatingível pela razão e por outra pessoa; só o Espírito de Deus pode sondá‑lo e conhecê‑lo. Ele é o lugar da decisão, no mais profundo de nossas tendências psíquicas. É o lugar da verdade, onde escolhemos a vida ou a morte. É o lugar do encontro, pois, à imagem de Deus, vivemos em relação; é o lugar da Aliança” (CCE 2563).

O coração é o cofre donde sai a vida (Pr 4,23), o bem e o mal (Lc 6,45).

O coração pode ser fraco (Gn 6,5), de pedra (Ex 7,3), de carne (Ez 11,19), brando e humilde (2Rs 22,19), contrito (Sl 51[50],17), confortado (Sl 147,3), incircunciso (Lv 26,41), receptivo (Pr 3,3), puro (Mt 5,8), meditativo (Lc 2,19), abrasado (Lc 24,32).

Mais: o coração é um templo (1Cor 6,19), no qual se oficia uma solene liturgia (Ef 5,19), e cujo oficiante é “o homem escondido do coração” (1Pd 3,4: ὁ κρυπτὸς τῆς καρδίας ἄνθρωπος).

Ora, contra tal homem escondido alça-se o “nosso homem exterior ” (2Cor 4, 16: ἔξω ἡμῶν ἄνθρωπος), a fim de lhe oferecer combate.
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