
A 30 de setembro passado, veio à público a carta Verbum Domini. Falar que “veio à público” é modo de dizer, pois sua repercussão me pareceu bastante reduzida, mesmo nos círculos especializados.
Embora eu goste de acusar as falhas da comunicação midiática, devo reconhecer que o presente documento passou incólume e despercebido devido ao assunto de que trata: a Palavra.
Apesar de talvez ser, desde a Reforma, o ponto débil da moderna sociedade, justamente a incapacidade de perceber a importância do tema demonstra quão profunda é a surdez para a Palavra.
Ora, nós homens somos o que escutamos. Quem escuta confessa a presença daquele que fala e abre no próprio coração um espaço para o outro. Quem não escuta frustra o diálogo e se autoconsome na própria lógica.
Já li metade do documento e o estou apreciando muito. Além de resumir e consolidar as pesquisas desenvolvidas nos últimos anos, confere-lhes a chancela da autoridade. Ao mesmo tempo, o leitor atento saberá encontrar pérolas espalhadas pelo texto: novos modos de dizer velhas coisas e verdadeiros achados.
A carta me inspirou tanto que resolvi me alargar sobre o tema neste blog.
Concluo esta postagem, mas antes tentarei satisfazer sua curiosidade: afinal, o que falar da Palavra, que parece estar em crise?
1) A Palavra é divina, Verbum inspirans amoris (cf. VD 6).
2) A Palavra é “um cântico a diversas vozes” (VD 7).
3) A Palavra fundamenta a realidade e sua percepção (cf. VD 10).
4) A Palavra abreviou-se e calou-se (cf. VD 12 e 21), pelo que “Verbo crescente, verba deficiunt” (VD 66).
5) A Palavra é pneumatológica (cf. VD 16).
6) A Palavra exige uma resposta (cf. VD 24-26).
7) A Palavra se fez Livro (cf. VD 29-49).
8) A Palavra se fez Pão (cf. VD 54-56).
Se tiver comentários ou perguntas, não se acanhe!