Livros fechados, braços cruzados
Muita gente compra livros e não os lê. Mais: os títulos substituem os livros, contam a história com as páginas fechadas.E os resumos esquemáticos? Resumos esquemáticos são spoilers da verdade. Verdade não destilada, não decantada, nem curtida nem sorvida.
Se a verdade foi substituída pela relevância cultural, o credo foi, por sua vez, substituído pelo pragmatismo. Paradoxalmente, reina a apatia, já que a falta de sentido conduz ao imobilismo, nunca à prática.
E assim, Deus parece estar numa terra perdida em sonhos caducos… em que ninguém acorda. Aparente vitória da metodologia sobre a teologia, da terapia sobre a penitência, do moralismo sobre a santidade, do deísmo sobre a fé.
Vitória só aparente, pois a verdade traz em si uma semente cujo dinamismo nada pode deter. Um fruto seu é mais profícuo que toda e qualquer esterilidade que nos seja imposta.
Como transmitir a verdade?
Se a cultura pós-moderna é avessa às convicções, como convencer que há vida na doutrina sem isso parecer intolerância?É curioso, mas muitos católicos nominais são os piores interlocutores nessa arena, pois pensam saber o que, de fato, desconhecem. Não obstante, independentemente do título que recebam, tais católicos nominais (não-praticantes, “afastólicos”, de berço, etc.) são pessoas reais que fazem parte da Igreja.
Como então falar a esses corações? Penso que há quatro exigências:
1. Falar simples. Vulgarizar a doutrina. Embalar com a clareza dos conceitos.
2. Falar o porquê. Um sentido vale mais que mil imperativos. Anunciar o fato junto com o seu significado.
3. Falar como. Ensinar o caminho não equivale a decorar passos, mas um passo-a-passo ajuda tanto!
4. Falar compassivamente. Afinal, o objetivo é cooperar com todos, nunca triunfar sobre o outro.
***
E você? Transmite suas ideias ou abre mão delas por causa do relativismo?
