3 de set de 2011

Pecadores genuínos


Conclusão da conferência dada por André Louf, em que falava das influências negativas que pesam sobre a atual cultura religiosa.

Mais do que moral

O Espírito Santo procura expressar-se nas circunstâncias concretas, primeiramente na espontaneidade, liberdade e alegria. Em segundo lugar, por seus frutos. Por isso, a boa pedagogia moral auxilia a busca da experiência interior que torna sensível à ação do Paráclito. Os esquemas morais, porém, enquadram o comportamento humano num rol idealizado de regras, padrão ao qual o homem é convidado a aderir.

É claro que as normas éticas são necessárias; mas também convém reconhecer seus riscos, em particular o de separarem disposição interior de ação exterior. Isso resulta em dois perigos ulteriores: a quem não consegue manter o padrão moral, tornar-se cativo de uma espiral de culpabilidade; a quem tem consciência fácil, viver numa aparente perfeição que falsifica a liberdade de espírito.

Fazemos hoje muita confusão entre pecado e vida interior. Há pecadores que desistem da interioridade voltada para Deus; há pecadores que sonham com uma moralidade sem pecado; há justos incuráveis que olham de cima os pecadores. Esses três tipos são incapazes de aceder ao templo interior.

Os pecadores genuínos, por quem o Pai anela como pelo filho pródigo, são os reconciliados com a própria fraqueza, que se apoiam apenas na misericórdia de Deus. No perdão divino, seus corações são transfigurados e o pecado se torna uma porta para as profundezas do coração que conduzem ao conhecimento do Pai.
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