27 de ago de 2009

Uma queda-de-braço entre a aventura e a casuística


Lendo o livro de Josef Pieper sobre as Virtudes Fundamentais, encontrei uma discussão bastante interessante sobre a desaparição da prudência entre dois polos opostos: a casuística e a aventura.

Do desejo — tão humano — de segurança, certeza, generalização, exatidão e fixidez, nasce quase necessariamente uma tentação: querer dominar e organizar a indeterminação dos nossos modos de atuar.

A experiência, com base nos sucessos e fracassos, traz à tona medos e esperanças. Os amigos e companheiros, mediante advertências ou alentos, corroboram nossos projetos e decisões. Assim amadurecemos, construindo um corpo de pressupostos e critérios de atuação.

A primeira questão é reconhecer naquela tentação a inflação desta maturidade.

A segunda questão é reconhecer a utilidade da casuística enquanto análise e classificação dos casos particulares.

Certos sistemas, que caíram na tentação, consideraram indevidamente a casuística o elemento mais importante da doutrina moral, propiciando não poucos desvios éticos.

Toda uma educação pautada nessa inflação gerou nas pessoas o prazer barato de entoar cânticos ao risco e à aventura na decisão moral e, ao mesmo tempo, tornou a casuística alvo de zombaria.

De fato, a casuística — filiada nas disciplinas jurídicas e propícia para as análises judiciais — não garante a ânsia humana de certeza para minha ação de agora. Utilizada com este fim, pode mutilar minha liberdade ou me degenerar numa petrificação desumana.

Mas o extremo oposto também conduz a um beco sem saída. O que pressentimos em nossos amigos e até em nós mesmos são incertezas, tentativas, erros, desilusões e justificativas. A arte, a técnica, a performance em lugar do real, da prudência, da consciência.

Nem todos ousam formular em termos existenciais esse comportamento inconsequente. Muitos adotam discursos contraditórios que permitem soluções sentimentais, transferindo a responsabilidade moral para as circunstâncias.

Estou convencido de que precisamos nos libertar tanto do formalismo quanto do pragmatismo. O que você pensa disso? Você pende mais para que lado?
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