
O Sirácida sentencia: “Deu‑lhes
discernimento, língua, olhos, ouvidos e um coração para pensar” (Eclo 17,6).
Ora, do coração (לֵב) — que é o “fundo do ser” (Jr 31,33) — procedem os pensamentos,
assim como o movimento das paixões e as decisões morais (cf. CCE 368, 1764 e
2517).
“O
coração é a casa em que estou, onde moro (segundo a expressão semítica ou
bíblica: aonde eu ‘desço’). Ele é o nosso centro escondido, inatingível pela
razão e por outra pessoa; só o Espírito de Deus pode sondá‑lo e
conhecê‑lo. Ele é o lugar da decisão, no mais profundo de nossas tendências
psíquicas. É o lugar da verdade, onde escolhemos a vida ou a morte. É o lugar
do encontro, pois, à imagem de Deus, vivemos em relação; é o lugar da Aliança”
(CCE 2563).
O coração é o cofre
donde sai a vida (Pr 4,23), o bem e o mal (Lc 6,45).
O coração pode ser
fraco (Gn 6,5), de pedra (Ex 7,3), de carne (Ez 11,19), brando e humilde (2Rs
22,19), contrito (Sl 51[50],17), confortado (Sl 147,3), incircunciso (Lv
26,41), receptivo (Pr 3,3), puro (Mt 5,8), meditativo (Lc 2,19), abrasado (Lc
24,32).
Mais:
o coração é um templo (1Cor 6,19), no qual se oficia uma solene liturgia (Ef
5,19), e cujo oficiante é “o
homem escondido do coração” (1Pd 3,4: ὁ κρυπτὸς τῆς καρδίας ἄνθρωπος).
Ora,
contra tal homem escondido alça-se o “nosso
homem exterior ” (2Cor 4, 16: ἔξω
ἡμῶν ἄνθρωπος), a fim de lhe oferecer combate.