
Mas por que toda essa sanha consumista justo no Natal de Cristo, que pobre nasceu e viveu? Não vou falar disso aqui, pois o tema é mais velho que o meu avô e já postei um texto de Curzio Malaparte a respeito.
Apenas quero cutucar um mau hábito que arraigou em muitas famílias: viver o calendário do comércio, atuar ao ritmo do consumo.
O comércio costuma se empetecar para o Natal no início de novembro. Só que é apenas agora que começa o Advento! Por outro lado, já vi árvores, luzes e guirlandas em um monte de casas e edifícios há três semanas. Provavelmente, tudo será retirado já no dia 26 de dezembro; afinal, ninguém aguenta ficar olhando para um pinheiro colorido durante dois meses.
Em minha casa seguimos um velho costume europeu: acender a Coroa do Advento em cada um dos quatro domingos que antecedem o Natal. A árvore só vem por volta do dia 18, festa de Nossa Senhora do Ó, e fica até a Epifania.
É óbvio que não há regras fixas sobre isso. Contudo, entre o calendário litúrgico e o comercial, prefiro o litúrgico. Assim como, entre aquele gordinho cheio de Coca-Cola do Polo Norte e São Nicolau, prefiro esse bispo asiático do século IV.
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