Nesta centésima postagem (à razão de uma por dia, passaram cerca de três meses), gostaria de me fazer ombudsman de mim mesmo.
Anonimato é bancarrota. Anonimato é a maior barreira para o diálogo. Se você quer ser ouvido, ouça. Se você quer ouvir, esteja em todo lugar. Mas quando falar, pense: E se fizerem exatamente o que eu digo? Ainda bem que existe gente que pensa diferente de mim!
Quem sou eu? Vou dizer cinco coisas, uma das quais é falsa. A quem descobrir qual é, darei um brinde:
- Sou carioca, mas Niterói foi minha Damasco: ali me batizei, crismei, amei.
- Sou arquiteto, mas a palavra é meu canteiro de obras: nela respiro, penso, falo.
- Sou alpinista, mas pelas trilhas sem mosquetão é que circulo.
- Sou webdesigner diletante, que não entende de html.
- Sou poliglota como O homem que sabia javanês do Lima Barreto: grego, latim, italiano, castelhano e inglês (só fiz curso do último).
Reconheço que às vezes claudico numa apologética inglória. Falta-me humildade quando, mesmo sabendo que não conseguirei levar à frente minha opinião, teimo em querer deixar constância dela. Tento ser positivo, embora o gênio passe uma rasteira de vez em quando.
Este blog é um saco de gatos. Pus artigos antigos, ressuscitei postagens mortas, colei documentos fossilizados, retalhei arquivos empoeirados.
Qual me deixou mais entusiasmado? Sem dúvida, o da mau afamada Clínica da Rua Dona Mariana. Fiquei contente, pois sendo a respeito de um assunto tão controverso, recebi muitos comentários de apoio (e nenhum contrário). Comecei com ideias soltas, apelei para o recurso da inclusão (pela surpresa do paralelismo) e concluí com o diálogo com o leitor, para justificar o capítulo argumentativo.
Também gostei muito de quando escrevi a postagem do chinelo, feita à base de citações, um elogio da “acusada” (beijar depois de morder) e um esforço para desfazer argumentos fáceis (em geral tenho o mau hábito de desclassificar argumentos fracos, o que — reconheço — humilha um pouco e explica nada).
Finalmente, um segredo: não sou brega por natureza. As letrinhas que se mexem e outros frufrus cibernéticos são pura experimentação informática.
Minha meta agora é desenvolver a ideia da Fake-doll. A coisa ainda não saiu do forno, mas está quase no ponto. Depois me diga se gostou!
