A voz da consciência é a norma próxima da moralidade. Mas é um juízo da inteligência, não um órgão da alma. Para que esses juízos sejam justos, faz falta conhecimento e conselho, pois fora da verdade não há conduta moral.
Dois perigos extremos consistem em deformar a consciência ou tê-la farisaica. O remédio é a humildade, que não se desculpa nem inventa teorias, antes pede conselho e medita.
Só são moralmente importantes os atos deliberados. O sentido do pecado enfraqueceu na consciência do homem moderno, mas o sentimento de culpa aumentou, com manifestações que beiram a patologia. O verdadeiro sentido do pecado é deturpado pela magia, que o reduz à mera quebra de um tabu que garantiria o êxito na vida.
Por outro lado, o sentimento de culpa pode inchar, confundindo o pecado com o pondus peccati, isto é, com seus efeitos: os homens sentem excessivamente a culpabilidade por erros invencíveis. Ora, se não houve uma renúncia voluntária à nossa verdade, não terá havido pecado formal, somente material.
Eis a gangorra ética: ou remorso ou presunção. Eis o fiel da balança: a verdade, e essa nua e crua.
