3 de out de 2010

Nua de gravata

Queres ser filósofo? Cultiva as virtudes

Há gente que se justifica alegando consciência reta, mas reduz o âmbito da moralidade. Com isso, uma bela teoria lhe serve para restringir o escopo da própria consciência.

Nossa visão de mundo sempre carrega algo de nossa bagagem vital, experiências, temperamento, inclinações, etc. Por isso, o filósofo deve cultivar as virtudes como última garantia de retidão intelectual.

Por outro lado, o verdadeiro filósofo não causa distúrbio ou desconforto. Tais coisas são próprias de anarquistas intelectuais.

πειραστική (crítica dialética) é um recurso socrático legítimo para examinar a validez das opiniões não consagradas dos ignorantes presumidos. Contudo, não esgota a verdade nem pode ser considerada uma ferramenta suficiente para alcançar a verdade.

Os anarquistas intelectuais alardeiam erudição e aparentam sabedoria com a multiplicidade de suas perguntas. Alegam humildade perante a verdade, cortejam-na sem nunca abraçá-la. São monótonos.

Em resumo: parece-me que nossos pensadores estão adoentados: moralmente mancos, presumem-se de sábios por serem bons retóricos.

Virtude tabu

Vale a pena entender por que a doutrina das virtudes desapareceu do universo intelectual contemporâneo, mas o tentaremos depois.

De momento, interessa citar duas virtudes, dentre tantas, escanteadas da vida prática e, consequentemente, das inteligências:

Prudência: para muitos, soa a cautela. Sua definição clássica é: recta ratio agibilium (reta razão no agir). Supõe três passos: estudo, petição de conselho e decisão. Entretanto, o homem moderrno prefere agir sem pensar, renegar a tradição e protelar as decisões vivendo ao sabor das emoções.

Castidade: para tantos, a sexualidade não entra no campo da moralidade. Se talvez a gula (excesso à mesa) ainda se reconheça como algo grotesco e por isso imoral, o mesmo não se dá com a luxúria. Excessos à cama até são vistos como virtude. Castidade é a integracão da sexualidade na personalidade. Mas grande parte das pessoas tem sido educada para ter uma personalidade erotizada.

Agora pensemos num filósofo tarado e inconsequente. Que fruto pode advir de uma tal inteligência? Que mestre cego é este, senão um charlatão, um pobre coitado que publica suas próprias dúvidas numa desesperada tentativa de justificar-se?

Tire-se a gravata da presunção. Fique nua de verdade. A verdade nua não necessita de aparato. É casta como a Vênus Capitolina, é mais conselheira que os Sete Sábios da Grécia.
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