Mais do que ideia
O filósofo Rüdiger Safranski criticou a tentativa de se transformar o cristianismo num sério “projeto de religião”, uma «mescla de ética social, pensamento institucional de poder, psicoterapia, técnica de meditação, serviço de museu, gestão de cultura e trabalho social”.
Com efeito, a proposta cristã não é um partido, uma distração, uma ideologia, um time. Sendo a máxima expressão do mistério, implica um verdadeiro realismo, uma verdadeira decisão. Diante de uma cultura positivista e relativista, que ousadia propor uma Palavra não-simbólica, mas vinculante!
Realismo da Palavra
“A Palavra de Deus impele-nos a mudar o nosso conceito de realismo: realista é quem reconhece o fundamento de tudo no Verbo de Deus” (Verbum Domini, n.º 10). Portanto, o cristianismo exige uma “mudança concreta de paradigma” (ib., n.º 28), não é mero “doutrinalismo”. O realismo cristão avalia os fatores da realidade, levando em conta os valores a serem respeitados.
“Humanamente falando, a palavra, a nossa palavra humana, é quase nada na realidade, um sopro. Assim que é pronunciada, desaparece. Parece que é nada. Mas já a palavra humana tem uma força incrível. São as palavras que depois criam a história, são as palavras que dão forma aos pensamentos, os pensamentos dos quais deriva a palavra. É a palavra que forja a história, a realidade.
Além disso a Palavra de Deus é o fundamento de tudo, é a verdadeira realidade. E para sermos realistas, temos mesmo que contar com esta realidade. Temos que mudar a nossa ideia de que a matéria, as coisas sólidas que se podem tocar seriam a realidade mais sólida, mais segura.”
(Bento XVI, Meditação, 6/10/2008).
