A expressão procede da forma dialetal de Veneza ciau, correspondente à palavra italiana schiavo (escravo, servo). Do mesmo modo, em húngaro as pessoas se cumprimentam dizendo umas às outras: Szervusz! Ambas as expressões indicam o quanto penetrou o espírito cristão de serviço na cultura ocidental, porque o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em redenção por muitos (Mc 10,45).
Por outro lado, uma mesma pessoa pode ser servida a contragosto por um empregado ruim que quer se aproveitar dela. Ou pode ser servida amistosamente por um antigo empregado da família que a acompanhou por muitos anos. Ou ainda pode ser servida por um amigo de infância, que lhe presta favores gratuitamente. Finalmente, também pode ser servida pelo filho, para quem o menor desejo do pai é uma ordem.
Cada qual está servindo, mas sob óticas diferentes.
Um menu de opções
Mas servir o quê? No restaurante da vida, somos garçons que podemos oferecer a vida, o tempo e os esforços. Mas, acima de tudo, devemos oferecer alegria:
Sonhei que a vida é alegria.
Acordei e vi que a vida é serviço.
Servi e vi que o serviço é alegria.
(Tagore)
Conforme o princípio dos três mosqueteiros: alegria compartilhada é alegria multiplicada, tristeza compartilhada é tristeza dividida.
Questão de estilo
Vale a gráfica expressão italiana per servire servire, que implica três consequências:Servir sem tréguas — Para servir, servir: para ser serviçal, pôr logo a mão na massa. Sem contemplações, cálculos, busca de contrapartidas. Aprender tomando iniciativa, sendo generoso.
Servir sem férias — Para servir, servir: para ter espírito de serviço, faz falta servir sempre, pois o serviço supõe a repetição com empenho, com carinho, de muitos atos iguais.
Servir sem renda — Para servir, servir: para ser útil, abnegar‑se. Não permitamos que na nossa conduta entre a atitude de oposição patrão‑empregado, que busca subterfúgios para não ter trabalho e se acomodar quando o “chefe” não está vendo. Mas também evitemos a mentalidade “privada”, do serviço social “pago”, que exige contrapartidas, compensações.
Serviço destorcido
Em sentido contrário, há três deformações do espírito de serviço:Descuidar os próprios deveres para ajudar a outros — isso é mau exemplo. Um salva-vidas nada primeiro para si, depois para o outro.
Servilismo — isso chateia. Para os que tentam carregar tudo para os outros, dá vontade de dizer: “tenho mão!” Há coisas que as pessoas gostam de fazer sozinhas e há uma distância física‑psicológica que deve ser respeitada. Ajudar não é sufocar.
Aferrar‑se a regras — “Eu já sirvo porque faço o café e atendo ao telefone”. Ora isso não seria virtude! A meta é sermos capazes de discernir as necessidades das pessoas em cada circunstância: serviço habitual se faz natural.
