24 de jul de 2011

Atalhos do coração, descaminhos espirituais

Caminhos da humildade

Além da humildade diante da própria miséria, há outros lugares e momentos na vida em que nos aproximamos dos produtivos mananciais interiores da oração. Dentre esses espaços privilegiados destaca-se a escuta da Palavra divina na Escritura, a qual tem o poder de chacoalhar, despertar e perpassar o coração, abrindo-o para que a oração jorre e se eleve.

Outras ocasiões favoráveis são: a enfermidade, a morte de um ente próximo, as calúnias, as tribulações, as privações; embora o coração se dilate mais por ser humilde do que por ser humilhado.

Na encruzilhada do coração

Encontramos todos esses momentos oportunos reunidos na Liturgia. A Igreja, perita em corações, soube harmonizar os ofícios dos templos de pedra com o “culto racional” (Rm 12,1: τὴν λογικὴν λατρείαν) dos corações de carne, ensinando-nos a rezar no contexto das nossas vidas e, inclusive, apesar desse contexto.

Mas os filhos da Igreja também são filhos da cultura contemporânea, e seus desejos conflitosos lhes causam não poucas dificuldades interiores. O bulício exterior ensurdece o ouvido interior, impedindo o acesso à voz do homem escondido do coração.

Obstáculos do caminho

Três são as influências negativas que pesam sobre a atual cultura religiosa:
  1. A redução do Evangelho a uma ideologia, orientando-o mais a padrões do que à vida.
  2. A redução do Evangelho a um ativismo, alienando da vida espiritual e transformando o anúncio em marketing.
  3. A redução do Evangelho à ética, cujo esquema moral impede a experiência interior.
O efeito comum de tais reducionismos é consagrar o homem exterior em detrimento do homem interior, é conferir caráter cultual e dimensão mística àquilo que ofusca a própria voz do coração.
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