Esta postagem conclui um estudo mais completo.Retraimento diante do mal
O ódio tem causa no amor
por algo obstaculizado pelo mal. O amor dos verdadeiros bens gera o ódio ao
verdadeiro mal, o erro, a ignorância, os males físicos, etc. Quando o mal se
nos torna efetivamente presente, nasce a paixão da aversão, fuga
ou abominação. A tristeza é a aflição pela perda de um bem (a
tristeza meramente corporal é a dor). O ódio, a fuga e a tristeza
são próprios do apetite concupiscível.
Por outro lado, diante do mal
ainda não sofrido, ameaçador e dificilmente evitável, a paixão que nasce é a do
temor, oriunda do apetite irascível. Sobre esta, já falei em outro lugar.
O desespero, por sua vez, é a paixão que procede da
impossibilidade de se alcançar um bem árduo.
Acesso para o mal
O cometimento diante do mal é
próprio apenas do apetite irascível. Isso se realiza através de duas
paixões:
Audácia: leva a agredir
e a superar os obstáculos que se opõem à consecução do bem, enfrentando males
ainda não sofridos. Distingue-se do temor porque a causa da audácia
é a importância do bem, enquanto que a causa do temor é a gravidade e a
iminência do perigo.
Cólera: repulsa com
respeito a um mal presente, que impede de alcançar um bem. A cólera pode
desvirtuar-se em vingança, mas também ser sinal de zelo.
Acesso para o bem
Esperança é a inclinação
do apetite irascível para procurar o bem ainda não conseguido e árduo,
porém possível. Se é verdadeiro, é esperança ordenada; se é conforme à
razão, esperança razoável. Sua causa é a grandeza do bem esperado e tudo
o que aumenta a capacidade de vencer as dificuldades.
Desejo é o impulso
do apetite concupiscível para alcançar o bem não possuído. Sua causa é o
amor do bem, não a veleidade.
Deleite, alegria
ou gozo é a quietude do apetite concupiscível na posse do bem, é
a complacência no bem amado e conquistado. O mero gozo corporal chama-se
propriamente prazer. A causa da alegria tanto é a conquista do
bem quanto aquilo que a facilita.