As ideologias oferecem explicações globais até se manifestarem redondamente engadas. O desengano vem quando já conseguiram implementar suas tragédias.
Esse período já passou. Na era pós-trágica, pós-ideológica e pós-moderna resta apenas a desconfiança nas explicações globais, na moral absoluta e na verdade objetiva.
Mas isso não sufoca a sede humana de transcendente. Apenas problematiza o recorrente “retorno ao sacro”.
De fato, se a secularização é a marginalização da religião, sua exclusão dos fóruns culturais, morais e políticos, a mesma secularização é a plataforma de lançamento de religiosidades novas dispersas, que não afetam a cultura nem se afetam com ela.
Migrações confessionais, concessões sincretistas, nivelamento epistemológico entre abordagens científicas e esotéricas: são sintomas de um lento processo “exílico”.
Quanto a tal exílio, falemos dele na próxima postagem.
