Tratado do Amor Cortês
(Traité de l’Amour Courtois) é o
título dado por Claude Buridant à sua tradução e comentários da obra de André
Capelão (Andreas Capellanus). Este clérigo do século XII (embora não
esteja totalmente claro que sua clerezia seja a eclesiástica) é o autor do Tractatus de Amore ou De arte honeste amandi.
Aparentemente, essa summa
amoris pretende ensinar a arte da cortesia, porém sua conclusão é
surpreendente: após páginas dedicadas ao deus amor e à idealização da mulher, condena
categoricamente o amor e vitupera a mulher como a origem de todos os males.
O paroxismo da obra não se resolveu. Ainda que a leitura
geral pareça indicar certo cinismo em André Capelão, não faltaram críticos que o
consideraram um verdadeiro adepto do amor cortês. O clérigo talvez tivesse
percebido seus excessos e tentasse com o epílogo negativo contrabalançar seus
princípios liberais. Ou, o que seria pior, assumisse conscientemente a
duplicidade de vida.
O livro — escrito com estilo, requinte e erudição — interessa
porquanto ilustra o ideal aristocrático da cortesia, retrata o período áureo do
trovadorismo, e diverte com a descrição de galanteios inventados entre
pretendentes de classes sociais diversas.
Por outro lado, a obra decepciona
pela apologia do adultério e da luxúria, cuja condenação aparece no texto muito
tardiamente. Por fim, deixa um mau sabor de boca com seu desfecho
antifeminista.
