Lembra-se de Superman 2? Para mim, foi um dos piores filmes a que já assisti. Contudo, alimentou abundantemente minha imaginação infantil.
Curioso é que me ficou indelevelmente gravada na memória a cena inicial, em que os juízes de Krypton condenam o general Zod e seus sequazes: enquanto uns bambolês metálicos giravam em torno dos réus, eles diziam, um de cada vez, seu veredito unânime:
— Guilty!
Já comentei sobre a negação da culpa moral e sua substituição por remorsos vãos. O tema, porém, retornou à mente — e por isso veio cair novamente a este blog —, por conta de algumas alusões recentes sobre a culpa com que travei contato.
A primeira das alusões ocorreu ao ler uma lista inusitada de certa twitteira recém-conhecida por mim. Deparei com a seguinte citação:
A segunda foi uma ideia de Bento XVI, no seu livro L'elogio della coscienza: la verità interroga il cuore: o Papa apresenta a culpa como um protesto da consciência pela vida acomodada, pela morte instalada, pela decomposição assumida.
A terceira consistiu numas conversas que tive a respeito da utilidade do exame de consciência como um salutar exercício do sentimento de culpa, mas como uma prática tida por bizarra para uma sociedade que nega a possibilidade do mal moral. Com efeito, muitos são introspectivos, poucos são humildes e penitentes.
Concluo este tema “medieval” com palavras da Baixa Idade Média (Isaac de Estrela, Sermo XI, 6 [PL 194, 1728 A]):
A Deus cabem o louvor e o perdão.
O louvor nós lhe damos,
o perdão dele esperamos.

