Ontem, 7 de setembro, assisti à Missa pela Pátria.
Fiquei comovido quando, na oração coleta, foram pedidos a Deus sabedoria para os governantes e honestidade para o povo. Mais uma demonstração de que tudo o que a Igreja faz e pensa está na contramão da mentalidade vigente.
Tais palavras me impressionaram pela inteligência e penetração. Fizeram-me pensar três coisas:
Verdade ou mentira
Esperamos que os políticos sejam honestos e achamos que o povo é sábio para escolhê-los. Balela. Estamos cercados de espertinhos e estupidamente aceitamos péssimos representantes.
Um colega de trabalho chegou a dizer que sente pena de o Roberto Jefferson não ser candidato, pois apesar de ladrão, é honesto. Ou seja, ainda que roube, não mente.
É um fato: o desamor à verdade impera entre os cara-de-paus. Ao anti-intelectualismo, segue-se a retórica do sentimento.
Política ou ética
Fazer política da ética é fazer um julgamento político, por exemplo. Em vez de avaliar conforme princípios, avalia-se por conveniências.
Fazer ética da política é impor visões “politicamente corretas” ou justificar finalidades escusas por razões ideológicas.
Com base nessa inversão, agora os tribunais inocentam graves desvios de conduta por verem neles “ideais políticos” (vide a baixaria do PSOL).
— Posso pegar a sua mulher, por uma razão política?
Moralidade ou estabilidade
Alguns justificam o fato de o presidente não ter sofrido impeachment nem os seus correligionários severas punições porque isso afetaria a estabilidade (leia-se econômica) do país.
Ora, o que é mais importante? A moralidade pública ou a estabilidade? Pode uma casa ficar de pé com alicerces apodrecidos?
