O coração é a sede dos
sentimentos, mas os sentimentos devem adequar-se à realidade. Já pensou se,
no cinema, um espectador caísse na gargalhada durante a exibição de um encontro
romântico ou no momento da execução injusta de um personagem importante da
trama? Ainda pior seria na vida real: isso ofende muito, demonstra egocentrismo
e mina a confiança entre as pessoas.
Nem todo sentimento será de acordo com a razão (“o que deve agradar me
agrada, o que deve desagradar me desagrada”). Diante dos sentimentos “irracionais”, que não correspondem às
circunstâncias, às pessoas, ao momento…,
o que fazer? Não parece eficaz mudá-los à força, nem aguardar que mudem por
si mesmos. O mais indicado é ignorá-los e fazer o que se deve fazer, segundo o
bom senso. Agindo assim, o gosto virá depois, com o hábito das boas reações já
arraigado.
E os sentimentos razoáveis? Como saber que efetivamente correspondem
a reações corretas? A racionalidade dos
sentimentos vem dada pelas relações que supõem. O motivo de uma alegria, a finalidade
de uma atitude aguerrida, a razão de uma esperança, etc., tudo isso ganha
sentido no contexto das relações interpessoais. O sentimento tem um caráter relacional, mas o objetivismo exacerbado
leva à dureza de coração.
Formação é a educação da vontade, inteligência e do coração.
Mas, na sociedade tecnicista, os educadores infelizmente tem preferido encobrir
a atrofia sentimental pelo consenso. É a etiqueta substituindo a estética.
Como você vai de educação estética?
