Desde Fracis Bacon, impôs-se a convicção de que saber é poder. Logo, só importariam os
conhecimentos práticos. Consequentemente, a vida torna-se um problema a ser resolvido, perdendo-se o
sentido das relações humanas.
Com efeito, a compreensão do sentido
das relações humanas não é um conhecimento prático, não é redutível a
esquemas.
As crianças não têm sentido das relações. Problematizam
tudo. Quando a vida é vista como um
problema, torna-se um dilema. A maturidade, porém, não bipolariza as situações, pois aceita os
contrastes. Quando a vida é vista como um
âmbito de relações, passa a ser encarada como um conjunto de contrastes.
Aristóteles enumerava a relação entre as categorias do ser. Mas é um
modo de ser que depende de outro.
Ora, os objetos adquirem maior “personalidade” na medida em que entrem no
âmbito das relações humanas (âmbito familiar, profissional, quotidiano, físico,
histórico, etc.).
A melhor postura diante dos objetos consiste em
contemplá-los e entendê-los, mais do que em lucrar com eles ou dominá-los. Cabe à arte transformar os objetos em
âmbitos de relações.
Mas o avanço da técnica levou a considerar suspeitos a arte,
a beleza, a estética, os sentimentos. Desde Kant, tem-se feito discriminação
entre ciência e cultura, entre exatas e humanas.
Os sentimentos são as primeiras respostas e os primeiros
caminhos entre o homem e a realidade. A educação dos sentimentos é feita
primariamente pela família, onde se deve ensinar a ter as reações adequadas
diante da vida. A escola, que também deveria educar subsidiariamente os
sentimentos, tem-nos desprezado e se especializou em educar meros técnicos.
