Depois de ter falado do chinelo e da roupa, decidi falar do linguajar. A língua é a roupa de dentro. A língua é o espelho da alma.
O idioma é um bastião importante nas conquistas culturais. Os povos vencedores, intencionalmente, ou por osmose, verteram sua língua nos ouvidos e bocas dos vencidos. Nas batalhas de hoje, revolucionar o idioma faz parte da estratégia para dominar a opinião. Depois opinarei acerca da tácita campanha em prol da assim chamada linguagem inclusiva.
Por enquanto, basta dizer que existe uma — para usar uma expressão joanina — linguagem mundana que se tem disseminado abundantemente. Não me refiro apenas a termos de calão ou à falta de vocabulário, o que é ponto pacífico.
Josef Pieper comentava que a nomenclatura relacionada à moral (virtudes e vícios) é a que mais costuma se deteriorar em tempos de crise, em quaisquer lugares e épocas. Nesse sentido, é sintomático que se tenha criado entre nós uma rica terminologia referente aos relacionamentos amorosos em que o sentido de compromisso não é o forte. Há uns anos, não me lembro se li na Folha ou no Estadão, saía uma lista que tentava facilitar o entendimento do vulgo:
O idioma é um bastião importante nas conquistas culturais. Os povos vencedores, intencionalmente, ou por osmose, verteram sua língua nos ouvidos e bocas dos vencidos. Nas batalhas de hoje, revolucionar o idioma faz parte da estratégia para dominar a opinião. Depois opinarei acerca da tácita campanha em prol da assim chamada linguagem inclusiva.
Por enquanto, basta dizer que existe uma — para usar uma expressão joanina — linguagem mundana que se tem disseminado abundantemente. Não me refiro apenas a termos de calão ou à falta de vocabulário, o que é ponto pacífico.
Josef Pieper comentava que a nomenclatura relacionada à moral (virtudes e vícios) é a que mais costuma se deteriorar em tempos de crise, em quaisquer lugares e épocas. Nesse sentido, é sintomático que se tenha criado entre nós uma rica terminologia referente aos relacionamentos amorosos em que o sentido de compromisso não é o forte. Há uns anos, não me lembro se li na Folha ou no Estadão, saía uma lista que tentava facilitar o entendimento do vulgo:
- Pegar: envolvimento passageiro carregado de erotismo, em geral de um único encontro.
- Ficar: envolvimento passageiro com carícias, menos agressivo que o “pegar”.
- Rolo: “ficar” de semanas, mas sem compromisso.
- Relação: amizade íntima luxuriosa sem exclusividade, comum entre adolescentes.
- Namoro: com um princípio de compromisso, envolvimento afetivo e projetos em comum.
- Grude: faz‑se tudo junto, numa espécie de controle recíproco.
- Relacionamento informal: compromisso de encontros eventuais, pois os projetos pessoais estão acima da vida em comum.
- Semicasamento: vive-se separado, mas com hábitos de casado.
Que língua você fala? Qual é a língua do amor?
