30 de set de 2009

Três considerações sobre o tom humano


Busca de um quilate superior
Numa postagem anterior, eu falava do uso indiscriminado do chinelo. Alguns de vocês me comentaram pessoalmente que essa espontaneidade faz parte do nosso patrimônio cultural. Tive de concordar, mas acrescentando que é preciso impregnar de racionalidade o que é espontâneo, educando o linguajar, o vestir‑se, o gosto cultural, a preferência por eventos e lugares.

Que surpresa quando eu soube que o museu do Real Madri é o lugar mais visitado da cidade de Madri! Pois não é prerrogativa dos brasileiros a falta de interesse por coisas mais elevadas. (E eu adoro futebol.)

Somos espontâneos? Sem dúvida. Mas cabe-nos fomentar uma grande sensibilidade e delicadeza para tudo o que se refere à cultura, ao estilo pessoal, às atitudes. Já pensou o que seríamos se aliássemos ao jogo de cintura, ao nosso jeitinho brasileiro, um pouco mais de requinte? Ninguém nos iria segurar!

Boa apresentação
Apresentar‑se bem ajuda a elevar o nível dos relacionamentos, manifesta respeito pelo outro e ajuda a cultivar o que é humanamente nobre.

Com a caça à corrupção nos mais variados níveis do governo, tornou‑se comum a expressão: não basta ser honesto, é preciso parecer honesto, pois qualquer indício pode liquidar a honra. Como dizia Nelson Rodrigues, na verdade, aquilo que parece, é! Portanto, o tom humano também auxilia a causar uma boa impressão, conquistando a confiança e o reconhecimento dos demais.

Bom gosto
Faz uns anos, um amigo apareceu em minha casa vestido de fraque para me mostrar como ele iria para a festa à fantasia. Ora, roupa boa não é fantasia! Curiosamente, ele resistia a ir bem vestido para o estágio. Pensar assim só demonstra que se vive numa esfera menos requintada.

Naturalmente, esta postagem não é o lugar para falar de moda. Mas para concluir, acho que cai bem enumerar seis cuidados que sempre podemos ter com a roupa:
a) distinguir as diversas formas de se apresentar (gala, social, passeio, esporte fino, esportivo), errando para mais, se for o caso;
b) aprender a combinar as cores e texturas, sem virar árvore de natal colorida nem leão de chácara todo de preto;
c) ter uma quantidade suficiente de roupas elegantes e discretas, o que nem se percebe quando se usa novamente;
d) levar em conta a própria faixa etária, para não parecer um gatão de meia‑idade nem um menino prodígio;
e) inteirar‑se às circunstâncias a fim de não destoar das outras pessoas;
f) usar cada peça conforme sua finalidade, sem adaptações esdrúxulas como usar camiseta como camisa ou casaco como agasalho.

Que outras experiências você tem nesse campo?
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