29 de set de 2009

O valor das pequenas coisas

Pontos de apoio
O edifício moral de uma pessoa tem de ter:


a) o alicerce da humildade (para sustentar);
b) os pilares da rijeza (para estruturar);
c) as vigas da equidade (para distribuir);
d) as lajes do realismo (para abrir caminhos).


Essas quatro coordenadas correspondem às classicamente chamadas virtudes cardeais: temperança, fortaleza, justiça e prudência.


Mas ainda falta o telhado, de onde se pode ver a paisagem de tudo à volta, e que coroa a arquitetura, protegendo‑a das intempéries. No edifício moral, a cumeeira das qualidades é a magnanimidade (magna animaalma grandecoração grande), que permite olhar ao longe no horizonte e vencer as chuvas do desalento pela força dos ideais.


Quando os operários põem a última telha, costumam fazer a “festa da cumeeira”, na qual eles é que são servidos pelos proprietários do empreendimento! Mas não se chegaria ao cume do desenvolvimento pessoal se cada tijolinho que compõe a edificação não tivesse sido colocado no seu lugar, com sacrifício, dia após dia. Por isso, o caminho para ter um coração grande é o cuidado com as pequenas coisas do dia a dia.


Perfeccionismo e Megalomania
Ter cuidado com as pequenas coisas não é ser perfeccionista. Seria uma pessoa de altos ideais quem perdesse a paciência com a irmã apenas porque ela trocou o fundo de tela do PC por uma foto do Rick Martin?


Por outro lado, há gente que vive caçando leões nos corredores da sua casa e esquecem que o grande heroísmo de suas vidas será de vez em quando matar umas baratas escondidas na cozinha. Nunca faremos coisas grandes se desprezarmos as coisas pequenas, assim como um excursionista não chegará ao topo de uma montanha se não der um passo atrás do outro.


Desejos de grandeza que não vão unidos a pequenas conquistas diárias acabam frustrando o coração. A megalomania é um modo de mascarar a nossa preguiça.

Pequenas coisas no trabalho
Nesse sentido, deixo alguns exemplos de pequenas coisas que ajudam a trabalhar com magnanimidade:


a) aprofundar só naquilo que é útil em cada momento;
b) levar todo o material necessário para o trabalho a ser realizado, e não mais que o necessário;
c) no fim das atividades, arrumar a sala, o escritório, as cadeiras, os objetos etc.;
d) limpar o lugar das sobras dos trabalhos;
e) anotar os assuntos de forma definitiva, evitando passar a limpo sabe‑se lá quando.

Pequenas coisas nas relações pessoais
O amor se manifesta em “ninharias”: é um desenho que se faz da mulher de que se gosta, é um botão de rosa para a mãe que anda meio triste, é um telefonema preocupado para o amigo que perdeu a prova de hoje.


Na mesma linha do tópico anterior, deixo alguns exemplos úteis para as nossas relações:


a) expor as próprias ideias quando podem ajudar os demais;
b) calar‑se para ouvir;
c) ser pontual;
d) perguntar pela saúde e pela família;
e) não só conviver ou tolerar, mas interessar‑se;
f) dar o braço a torcer em coisas que não têm tanta importância;
g) deixar o maior bife para o outro;
h) cultivar o asseio e a elegância, sinais de respeito pelos demais.


Que outros exemplos de pequenas coisas você sugere?
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