Os sentimentos são como o mar, afetados pela Lua, pela ressaca, pela poluição, pelas correntes, pelos bichos que o povoam e aterrorizam. O mar é traiçoeiro, no mar dá para surfar, pelo mar é costume singrar. Mas também se afogar.
O mar é salgado como o suor. O mar é cristalino ou turvo, suave ou encrespado, revolto ou sereno, refrescante ou enregelante. Mas o mar nunca mata a sede.
Tem gente cujo coração é de mar. Outros tantos têm o mar na cabeça, agitando pensamentos, refletindo à deriva, mergulhando nos sonhos. Uns e outros rodopiam nas marés que puxam a vida para longe da segurança da praia.
No mar da vida encontramos algumas boias, amigos e amores aos quais confiar nossa sobrevivência e respiração. Às vezes, sucumbimos com eles; outras, eles nos rebocam.
O mar é traiçoeiro, irmão. É forçoso nadar, e nadar com ânsias de sobrevivência.
