Falsas diferenças
Achei graça, pois Bento XVI fazia tal qual e os fiéis iam ao delírio do mesmo jeito. Eu mesmo estive em Roma há uns anos e o presenciei: quebramos várias cadeiras da Aula Paolo VI amontoando-nos uns sobre os outros, e as pessoas que conseguiram tocá-lo quase lhe furtaram o anel das mãos.
Concretamente, esse meu amigo é um católico de conversão recente. Para ele, como para a maioria das pessoas, a figura veiculada de Bento XVI é mais viva que sua figura verdadeira.
Não é aqui o lugar para analisar as possíveis razões desse fato: boicote interno, péssima comunicação institucional, preconceito latino-americano com os europeus, antipropaganda da Teologia da Libertação, má vontade e incompetência da imprensa brasileira, etc.
Aparentes diferenças
Outros tantos, em resposta bem intencionada, fizeram finca-pé na legitimidade de o novo Papa conduzir as cerimônias como lhe aprouver.
Outros, ainda, apelaram para a ação oculta do Espírito Santo por trás de toda essa história…
Contudo, acredito que a maioria das pessoas não percebeu nada de diferente, antes ficou muito contente com a boa acolhida que o novo Papa recebeu por parte da opinião pública.
Penso que, de fato, esse assunto não tem tanta relevância. Mas o fogo que foi disparado, tanto cruzado quanto amigo, oferece uma boa oportunidade para clarificar as ideias.
Verdadeiras diferenças
O Papa Francisco é um religioso (isto é: fez voto de pobreza) e, como tal, ele procura viver o desprendimento de forma ostentosa. Bento XVI, além de ser do clero secular, é um professor de teologia, por isso se valia de tudo que tivesse valor pedagógico para passar seu recado (até a cor do calçado!).
Segundo T. S. Eliot, o homem moderno prefere o onírico ao alegórico. Portanto, sofre de uma enorme ignorância diante do simbólico, mas se empolga com o histriônico. Daí que a pedagogia de Bento XVI nem sempre tenha sido assimilada…
Por outro lado, o Papa Francisco é um místico cuja sensibilidade o faz preferencialmente descortinar Cristo no pobre e no desvalido. Por sua vez, para Bento XVI, como ele mesmo afirmou, é na relação com a liturgia que se decide o destino da fé e da Igreja.
Por outro lado, o Papa Francisco é um místico cuja sensibilidade o faz preferencialmente descortinar Cristo no pobre e no desvalido. Por sua vez, para Bento XVI, como ele mesmo afirmou, é na relação com a liturgia que se decide o destino da fé e da Igreja.
Com relação a esse último aspecto, vale a pena recordar que o bem-aventurado João Paulo II propunha ainda outro caminho, pois para ele o homem é que “é a primeira e fundamental via da Igreja” (Redemptor hominis, 13).
Essas diferenças são úteis para abarcarmos as diferentes facetas da vida cristã.
Essas diferenças são úteis para abarcarmos as diferentes facetas da vida cristã.
