Existe lógica na natureza?
O pensamento clássico afirma que natureza é portadora de uma mensagem ética para o homem, que a natureza constitui uma norma moral implícita.
Tal visão de mundo,
da que nasceu a ideia de lei natural,
pressupõe a existência de uma harmonia entre Deus, o homem e a natureza. O
mundo é visto como um todo inteligível, unificado por um logos divino.
Para o Cristianismo,
porém, esse logos não é impessoal (como
para o estoicismo, por exemplo). Pelo contrário, é uma Pessoa divina, que se
fez homem: Jesus Cristo.
Rebeldia moderna
Essas concepções perderam preeminência cultural desde fins da Idade Média. Deixando a natureza de ser vista como norma, a moralidade divorciou-se da estrutura do ser. Daí que David Hume acuse a tentativa de passagem da metafísica para a moral de naturalistic fallacy (paralogismo naturalista).
A derrocada se deu
em duas vertentes: a teórica e a prática. Do ponto de vista teórico, depois de São Tomás de Aquino ter
apresentado o ser como analógico e não
unívoco, Guilherme de Ockham radicalizou a negação da sua univocidade: reduziu
o universo à mera justaposição e
qualificou de ilusão linguística seu pretenso logos
(nominalismo).
Desde a perspectiva prática, o crescimento do voluntarismo consolidou a ὕβρις (insolência,
supremo vício para os gregos) como princípio de ação. Pensadores como Pico
della Mirandola, Maquiavel, Hobbes, Locke e Nietzsche desenvolveram largamente a
tese de Protágoras (o homem como medida de todas as coisas).
Em seguida, veremos algumas consequências dessa dinâmica.
Em seguida, veremos algumas consequências dessa dinâmica.
