
Os onfalópsicos estão à solta. Mais do que barrigas à
mostra, isso quer dizer que a preguiça tem sido o álibi dos apáticos.
Os onfalópsicos eram membros de uma antiga seita quietista dos
séculos XI e XII, cujos sectários se acreditavam iluminados e achavam que, contemplando
e fixando o umbigo, podiam comunicar-se com a divindade e ver aquilo a que
chamavam luz do Tabor.
O quietismo é uma forma de misticismo que sustenta poder a
alma, conservando-se na mais total passividade de coração e de atitudes,
atingir um estado contínuo de amor e de união com Deus.
Por esses tais de “onfalópsicos”, vê-se que o quietismo do século XVII — comum na Espanha, França e Itália de então —, fora uma tentação recorrente ao longo da história. Mesmo hoje, quem não se imagina ingenuamente justo e bom só porque experimenta um sentimento religioso que lhe faz cosquinhas, apesar de levar uma vida em flagrante contradição com o sentido da transcendência?