As três últimas empreitadas estavam além das suas capacidades, já que diante da burocracia estatal sua vontade não conta, sua inteligência é dispensada e sua palavra é desacreditada.
Quanto ao vestibular, este sim! Seria apenas Gaudério Tareco contra si mesmo! Basta-lhe estudar com seriedade e aprender os bizus do concurso que será possível fazer uma boa carreira. Mas qual? Gaudério não se decidia!
Às vezes a melhor escolha é parar de escolher. Nosso herói precisava dar quatro passos:
1. Descobrir em quê ele era bom o suficiente
Ter pendor para muitas coisas é normal. Difícil é diferenciar-se em algo, pois demanda tempo, formação e treinamento.O pendor casa com o diferencial quando se vislumbra o sucesso pelo exercício de uma capacidade.
2. Encontrar seus próprios padrões
Ter padrões pessoais altos deve bastar, posto que se sofra cobrança alheia. O que dizem é referência, o que se quer é deferência.Satisfazer-se com alcançar os próprios padrões é legítimo e sugere novas metas mais elevadas.
3. Não olhar além
Eis a vantagem dos temperamentos restritos: foco. Meta alcançada é patamar para um novo lance.Muitos se inquietam preocupando-se de amanhã e desocupando-se de hoje.
4. Ter por irrelevantes as opções descartadas
Pesquisa exaustiva tem alto custo de informação. Lembrar da ex-namorada é infidelidade da memória. Relativizar o que se tem entre mãos é matar a mínguas a galinha dos ovos de ouro.O que foi descartado se reutiliza reciclado. Viver de entulho é carnavalizar a vida.
****
Não adiantou. Gaudério serviu exército, tomou pau na prova de direção e virou mesário de uma eleição em que os candidatos deveriam estar presos por improbidade administrativa, negação pertinaz da verdade e incapacidade intelectual.
Enquanto não decide o que fará no vestibular, resolveu trabalhar de taxista nas horas vagas, usando como veículo seu tandem jegue.
Ajude Gaudério Tareco a tirar sua dúvida: como você escolheu seu caminho na vida?
