Paixão
sem propósito equivale a um tiro sem mira. Sem um porquê, a paixão não passa de
um fogo que tosta você e tudo o mais que está à sua volta.
“Paixão” vem do latim passio, “sofrer”. Ora, se é para sofrer, você deve
se perguntar: Pelo que quero sofrer? O que vai me fazer sofrer se eu não o
fizer?
Propósito e paixão se encontram na resposta a essas perguntas.
A segunda indagação — O que me fará sofrer se eu não o realizar? —
tem a peculiaridade de tornar evidentes os parasitas da nossa felicidade:
coisas a que nos apegamos, paixões inúteis cuja ausência deflagra uma crise de
abstinência despropositada.
A primeira, porém, é uma declaração de maturidade. Pelo quê vale a pena
sofrer? — Conclama os brios para a consecução de grandes metas, cujos frutos
são tão custosos quanto mais valiosos.
Paixão sem sentido não é paixão: é paralisia moral, fragmentação da vontade,
cegueira intencional.
Diga para mim: Você está apaixonado por seus propósitos?
Pelo menos quer se apaixonar por eles?