Tantas questões intrincadas, terríveis e desagradáveis
quantas são suas protagonistas desafortunadas!… Contudo, o heterogêneo rol de
temperamentos, caracteres, idades e histórias de vida, tem por denominador,
apesar da multiplicidade de cenários e amores, o mesmíssimo discurso da
decepção: “por que sempre escolho a pessoa errada?”
Sem dúvida existem malandros, golpistas, vaidosos e
aventureiros; mas somos exceção [não se esqueça que sou fake]. Mas o que ocorre no dia-a-dia dos normais bem-educados e
bem-intencionados emancipados é uma sucessão de enganos, convencionalismos, falhas de comunicação e incapacidade de compreensão.
Estamos mais vizinhos, extrovertidos e conectados, porém
mais distantes, tímidos e solitários. Circunstância propícia para deformar a
percepção da vida real, estimular perigosas especulações, encorajar falsas
idealizações, inspirar juízos temerários, elevar as expectativas a níveis
fantásticos e embrulhar num pacote de preconceitos toda a malha das relações
humanas.
A par das tradicionais armas de se-dução (literalmente “conduzir à separação”) — máscara (boia),
aparente firmeza (chumbo), lábia (isca), brandura esperta (sabor) e prudente
paciência (cansar o peixe) —, seria útil às mulheres aprenderem uma atitude de
fundo: aceitar o outro pelo que ele é e reconhecer seus esforços de melhora, os
quais, afinal, são envidados por causa delas.
