Algumas pessoas se surpreendem que, com o passar dos anos, a paixão ceda lugar a certo acostumamento, ao distanciamento e até à frieza. Outros se admiram de ver antigos projetos conjuntos se frustrarem e cada um cuidar das suas coisas.
Os anseios satisfeitos, a maturidade adquirida e a convivência prolongada são fatores que podem roubar à vida seu fator surpresa. A arte está em saber surpreender. O erro está em surpreender-se que as emoções de outrora tenham desaparecido.
Quem fica atordoado pelo fato de não sentir mais as emoções esquece a solidez dos laços de amizade, amor e auxílio mútuos até então construídos.
A arte de surpreender também precisa ser conjunta. O diálogo aberto, a conversa franca e a decisão comum propiciam novos recomeços ao relacionamento. E aí aparece novamente a surpresa e a emoção.
É ingenuidade pensar que tudo é emoção antes do casamento. Tendemos a olhar o passado com a lente distorcida do presente. Ora para dourá-lo, ora para enegrecê-lo. A lente turva da paixão é que mais torna fake nossa vida.
A fidelidade verdadeira é dinâmica: sem monotonia, nem inércia, e muito menos secura.
Você tem sido fiel ou inercial?