Recentemente, assisti ao filme alemão In weiter Ferne, so nah! (Faraway, So Close!), de 1993, que é a sequência de Asas do Desejo, de 1987. Conquistou o Grande Prêmio do Júri no Festival de Cannes e conferiu ao U2 a indicação de Melhor Canção Original no Globo de Ouro.
Peter Falk, que representou si próprio em Asas do Desejo, volta aparecer, e o roqueiro Lou Reed (responsável pela trilha sonora) e o ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev também marcam presença no filme como eles mesmos.
A fotografia é impecável, mesclando a cor (a visão dos homens) com o preto e branco (a visão dos anjos).
Wim Wenders explorou um mundo desconhecido para nós: como os anjos nos veem. Apesar de serem incapazes de interferir diretamente na vida humana, Cassiel (Otto Sander) quebra esta regra quando uma menininha cai do terraço de um prédio e ele corre para a socorrer, tornando-se carne e osso. Damiel (Bruno Ganz), o companheiro de Cassiel que optou pela vida terrena no primeiro filme, trabalha agora numa pizzaria e vive com sua esposa, a trapezista Marion (Solveig Dommartin).
Um de vocês que me leem tinha me perguntado, na ocasião, em que o filme me fez pensar e o que ele me fez sentir. Cruel essa pergunta!
Sinceramente? Pensei na incapacidade de comunicação. Senti a tortura do silêncio. Anjos do amor que súplices contemplam homens surdos.