Muitos querem ter ideias virais. Muitos desejam visibilidade. Muitos buscam reconhecimento. O reconhecimento é a nova honraria que distingue as pessoas igualadas pela rasoura iluminista. A nova questão de ótica consiste em ser visto em todo lugar. Nasceu a síndrome Forrest Gump: estar em todas as partes sem ser ninguém.
A pessoa se sente bem conferindo 50 vezes ao dia seu perfil do Facebook com seus parcos 100 amigos. Sente-se bem porque ser citado, receber mensagens ou curtidas massageia o ego.
Massagem cara, que se traduz em horas semanais dispendidas numa inútil autoexcitação narcisista, horas roubadas ao trabalho, à cultura, à família. A obsessão da visibilidade é a nova bolha especulativa da vaidade, que traz três perigos:
1) Distancia da dinâmica de crescimento intelectual e profissional. O novo currículo consiste na métrica da vaidade, no impacto causado pelas fotos, opiniões e postagens floridas.
2) Confunde os parâmetros de tempo de dedicação e de grau de atenção que as coisas merecem. Exaustão e distração: eis o saldo da incansável atitude multitarefa que reduz a profundidade cognitiva e aumenta a mediocridade.
3) Aliena das verdadeiras necessidades das pessoas, artificializando os relacionamentos. É o melhor treino para o vício de falar de si mesmo sem parar, estragando qualquer empatia. Troca-se o valor pelo sucesso, a amizade pela simples admiração.
