— Só joguei ludo quando criança.
— Ludo é como brincar de boneca. Ludo está para gamão como boneca para filhos.
— Certo, mas e o fator sorte?
— No gamão joga-se diversas vezes — 11, 15 vezes seguidas —, a fim de minimizar o fator sorte. Cada contendor tem assim uma média equilibrada de azar. Ganhar é melhor que jogar no gamão: ele tem um cubo de apostas, com o qual você força o oponente a desistir no meio da partida dobrando o valor do jogo. Pois é melhor desistir logo do que teimar arriscando.
— Mas a vida não é sempre um jogo arriscado?
— É vero.
— Então que semelhança pode haver entre um jogo conservador e a felicidade dos ousados?
— Eu acho que quem quiser ser feliz nessa vida não deverá arriscar tanto. Você quer ganhar sempre? Só quer ver filme bom, ter um grande amor, uma linda família?
— Claro que quero. O que importa, em caso de sinistro, é como lidar com a perda.
— A felicidade não está em poder escolher, mas em fazer a escolha certa.— Querer ser feliz eu quero, se será assim ou não, é outra história. =P
— As pessoas têm costumado buscar a felicidade na base da tentativa e erro. Os fracassos são carência de virtude, não de sorte.
— Você não arrisca a felicidade? Não quer ser feliz?
— Ninguém quer ser um loser! Mas querer não é poder. Tentar não é conseguir. Não queremos ser losers, e acabamos posers. Vou dizer uma coisa: só lidamos com as perdas causadas pela falta de virtude com o arrependimento. Com as causadas pelos azares, com o desprendimento.
— Acho que você tomou muita cerveja…
— O negócio é aprender a reavaliar o que queremos. No fim, tudo é só um jogo de gamão. :P
— Acho que você tomou muita cerveja…
— O negócio é aprender a reavaliar o que queremos. No fim, tudo é só um jogo de gamão. :P


