A bandeira dos direitos humanos é um salvo-conduto no discurso da vanguarda política, mesmo à custa da coerência.
Bom exemplo é o artigo da promotora Fabiana Dal’Mas Rocha Paes, publicado em O Globo no dia 30/5/2013, que reúne todas as contradições cuidadosamente organizadas como o baralho de um castelo de cartas.
Em primeiro lugar, alude a uma “verdadeira democracia” que protege os interesses de militantes da “diversidade sexual”, mas ridiculariza o massivo protesto da sociedade francesa — liderado inclusive por um homossexual —, o qual foi ignorado pelos parlamentares daquele país.
Em seguida, afirma que a interpretação do artigo 226 da Constituição brasileira deve fugir da literalidade (casamento entre “homem e mulher”). Ora, tal princípio nos faria reféns da insegurança jurídica e permitiria ulteriores desdobramentos, como equiparar ao matrimônio a poligamia, a pedofilia, etc.
Na mesma linha, afirma que impedir o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo feriria o artigo 5º da Constituição, o qual veda a discriminação. Mas incapacidade equivale à privação de direito?
Curioso é que logo depois a promotora ousa dizer que todo o pensamento contrário é necessariamente religioso e, como tal, deve ser excluído do debate. Assim ela acaba de ferir esse mesmo artigo 5º da Constituição e os mais elementares princípios da racionalidade.
Finalmente, declara que o objetivo da militância é a instauração de um ideário de vanguarda tão alheio aos valores brasileiros que se poderia qualificar de totalitário.
Gostaria apenas de indagar à missivista: O que é o matrimônio? O que é a família? — Somente buscando uma resposta cabal a essas perguntas poder-se-á fortalecer a nossa sociedade e valorizar os verdadeiros direitos civis.
